Gastronomia & Turismo • 12:12h • 26 de outubro de 2026
Você conhece a laranja de umbigo? A história brasileira por trás de uma fruta famosa no mundo
Estado reúne 54 variedades comerciais, movimenta bilhões com a fruta e mantém pesquisas para proteger os pomares e desenvolver novas cultivares
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações do Governo de SP | Foto: Felipe Moreira
São Paulo é responsável por 80% da produção de laranjas do Brasil, segundo o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), e reúne uma história que vai muito além da produção de sucos. Com 54 variedades comerciais registradas, o estado abriga pesquisas que ajudaram a transformar a citricultura brasileira e preserva histórias curiosas, como a da laranja Baía, que surgiu no Brasil e conquistou produtores nos Estados Unidos e na Austrália.
Introduzidas no país pelos portugueses no século XVI, as frutas cítricas ganharam importância econômica ao longo dos séculos. Em São Paulo, a atividade se fortaleceu especialmente a partir do início dos anos 1900, com a expansão dos plantios, a utilização de mudas enxertadas e o desenvolvimento de pesquisas agrícolas.
Entre as variedades cultivadas, a laranja Pera representa aproximadamente 30% da produção de laranjas doces, sendo destinada tanto ao consumo fresco quanto à fabricação de sucos. Natal, Valência e Folha Murcha também estão entre as cultivares presentes nos pomares paulistas.
Uma laranja brasileira que ganhou o mundo
Uma das histórias mais curiosas da citricultura envolve a laranja Baía, variedade originada de uma mutação espontânea identificada no estado da Bahia durante o século XIX.
Conhecida por apresentar uma formação semelhante a um pequeno umbigo na extremidade do fruto, a variedade foi levada para outros países e passou a ser chamada de Washington Navel nos Estados Unidos. A palavra inglesa navel significa justamente umbigo.
A fruta conquistou espaço especialmente na Califórnia, onde se tornou importante para o mercado de consumo fresco. Sua trajetória é um exemplo de como uma variedade desenvolvida naturalmente no Brasil alcançou reconhecimento internacional.
Outra curiosidade envolve os kumquats, popularmente chamados de laranjas-anãs. Apesar do nome, não são classificados como laranjas propriamente ditas. Esses pequenos frutos podem ser consumidos com a casca e também são utilizados em doces, compotas e geleias.
Produção movimenta bilhões e pesquisa impulsiona o setor
Em 2025, a laranja destinada à indústria movimentou R$ 13,1 bilhões em São Paulo, enquanto a produção para consumo in natura alcançou R$ 3,8 bilhões, segundo o Instituto de Economia Agrícola (IEA).
O setor também tem forte participação no comércio internacional. Entre janeiro e setembro de 2026, as exportações paulistas do grupo de sucos somaram US$ 1,42 bilhão, sendo 96% desse valor correspondente ao suco de laranja.
A pesquisa científica desempenha papel importante nesses resultados. Segundo o Instituto Agronômico (IAC-APTA), 90% das variedades cultivadas nos pomares paulistas têm origem em trabalhos de pesquisa ou na manutenção de matrizes genéticas da instituição.
No Centro de Citricultura Sylvio Moreira, em Cordeirópolis, são desenvolvidos estudos sobre melhoramento genético, nutrição, biotecnologia e prevenção de doenças. Nos últimos três anos, foram lançadas 24 novas variedades de citros, ampliando as alternativas disponíveis aos produtores.
Greening continua entre os maiores desafios
Apesar da força econômica, a citricultura enfrenta ameaças como o greening, também chamado de HLB, doença associada a bactérias transmitidas pelo psilídeo, um pequeno inseto que compromete a saúde das plantas.
Em 2026, São Paulo passou a adotar regras que classificam os municípios conforme a incidência da doença. Nas localidades de baixa incidência, é obrigatória a eliminação das plantas com sintomas, independentemente da idade. Nas áreas de alta incidência, a exigência se concentra nos pomares de até três anos.
Os produtores devem inspecionar suas plantas a cada três meses e apresentar relatórios semestrais sobre greening e cancro cítrico. O controle do inseto transmissor permanece obrigatório em todo o estado.
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