Variedades • 19:51h • 17 de agosto de 2026
Você compraria o que uma IA recomenda? 54% dos brasileiros dizem que já fizeram isso
Pesquisa aponta que 54% dos consumidores já foram influenciados por recomendações de inteligência artificial; empresas agora precisam entender também como seus produtos e serviços aparecem nas respostas dos assistentes
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Nova Ideia | Foto: Arquivo/Âncora1
A inteligência artificial já interfere diretamente nas decisões de consumo dos brasileiros. Pesquisa da Branddi, divulgada pelo E-Commerce Brasil, aponta que 54% dos entrevistados compraram algum produto ou serviço influenciados por recomendações dessas ferramentas, sendo que 34% passaram pela experiência mais de uma vez. O levantamento ouviu 500 maiores de 18 anos, de todas as regiões e classes sociais, e mostra uma mudança na jornada de compra: parte das escolhas pode começar dentro de um assistente virtual, antes mesmo de o consumidor visitar um buscador, marketplace ou página oficial da empresa.
O movimento fica ainda mais evidente antes da compra. Segundo a pesquisa, 66% já utilizam inteligência artificial nessa etapa. Entre as finalidades citadas estão esclarecer características dos produtos, com 62%, receber recomendações personalizadas, com 54%, e comparar preços e funcionalidades, apontado por 48%.
Isso cria uma nova questão para empresas acostumadas a disputar posições em mecanismos de busca. Além de aparecer bem em uma pesquisa tradicional, passa a interessar se a marca é encontrada, compreendida e eventualmente apresentada quando alguém pergunta a uma IA qual produto comprar ou onde contratar determinado serviço.
A disputa pode começar antes do primeiro clique
A mudança não significa o desaparecimento dos buscadores. Eles continuam sendo utilizados por 72% dos participantes do levantamento. O que surge é uma etapa adicional na qual o consumidor pode receber uma seleção de alternativas sem necessariamente percorrer diferentes páginas para construí-la sozinho.
Para Luiz Santos, fundador do Unnichat, empresa especializada em CRM, automação e canais digitais para atendimento e vendas, esse comportamento amplia o conceito de presença digital. “A marca pode ter um bom site e investir em mídia, mas continuar ausente quando o cliente pede à IA uma recomendação. Surge uma nova camada da jornada de compra, na qual a empresa precisa ser compreendida por sistemas, além de ser encontrada pelas pessoas”, analisa.
Dependendo da ferramenta e da pergunta realizada, as respostas podem considerar diferentes informações disponíveis na internet, como páginas oficiais, catálogos, avaliações, reportagens, comparadores e fóruns. Com isso, dados inconsistentes, páginas antigas ou descrições pouco precisas podem dificultar a compreensão sobre aquilo que uma empresa realmente oferece.
Não é só o comércio eletrônico que entra nessa mudança
O impacto alcança também negócios locais e prestadores de serviços. Clínicas, restaurantes, escolas, imobiliárias e escritórios, por exemplo, podem aparecer em consultas formuladas como perguntas completas, incluindo localização, características do serviço, orçamento e outras necessidades do consumidor.
Isso altera também a lógica baseada exclusivamente em palavras-chave. Uma pessoa pode deixar de pesquisar apenas por um termo genérico e pedir diretamente ao assistente uma opção que reúna várias condições específicas.
Nesse cenário, manter informações consistentes sobre nome, localização, produtos, serviços, preços, políticas comerciais e formas de contato ganha relevância. Conteúdo original que responda às dúvidas dos consumidores, avaliações legítimas e referências externas também ajudam a construir informações públicas sobre a empresa.
Catálogos e informações estruturadas ganham importância
A preparação para esse ambiente também passa pela organização dos dados digitais. Conforme citado no material, a OpenAI orienta comerciantes a disponibilizar catálogos atualizados para melhorar a precisão das informações apresentadas em experiências de compra do ChatGPT. Preço, disponibilidade, imagens, avaliações e características dos produtos estão entre esses dados.
O Google, por sua vez, recomenda conteúdo original, páginas acessíveis e informações estruturadas para ampliar a elegibilidade dos sites em experiências de busca com inteligência artificial.
A mudança não elimina o SEO tradicional, mas acrescenta outra preocupação: produzir informações suficientemente claras e consistentes para que sistemas generativos consigam interpretar corretamente o negócio e relacioná-lo às perguntas feitas pelos usuários.
Empresas podem descobrir se clientes chegaram por indicação da IA
O CRM pode ajudar a medir um fenômeno que ainda é relativamente novo. Registrar como o consumidor conheceu a empresa, quais dúvidas apresentou e o que influenciou sua escolha permite identificar contatos que começaram depois de uma consulta a ferramentas de inteligência artificial.
Santos sugere que as próprias empresas façam testes sobre como aparecem nesses ambientes, pesquisando produtos, serviços e concorrentes para verificar quais informações são apresentadas e em que contexto a marca surge.
Esse acompanhamento também pode revelar erros. Segundo a pesquisa da Branddi, 45% dos entrevistados demonstram receio de receber informações incorretas por meio da IA, enquanto 30% temem recomendações tendenciosas ou publicidade disfarçada.
Recomendação por IA ainda convive com a busca tradicional
Os números indicam que a transformação está acontecendo sem que um canal tenha simplesmente substituído o outro. Buscadores, sites, redes sociais, marketplaces e publicidade continuam participando da jornada, mas agora dividem espaço com assistentes capazes de resumir informações e apresentar alternativas diretamente ao consumidor.
Para as marcas, isso acrescenta uma nova dimensão ao trabalho de presença digital. Além de acompanhar tráfego, posicionamento nos buscadores e desempenho de campanhas, torna-se relevante observar quais informações sobre seus produtos e serviços estão disponíveis publicamente e como elas podem ser interpretadas por sistemas de IA.
Com 54% dos entrevistados relatando uma compra já influenciada por essas recomendações, a pergunta deixa de ser somente onde uma empresa aparece quando alguém pesquisa por ela. Passa também a incluir o que o consumidor encontra quando pede a uma inteligência artificial ajuda para decidir o que comprar.
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