Gastronomia & Turismo • 16:25h • 14 de maio de 2026
Visitação recorde em parques nacionais injeta R$ 20 bilhões no PIB
Turismo em unidades de conservação gerou 332 mil empregos em 2025
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
O turismo em unidades de conservação federais movimentou R$ 40,7 bilhões em vendas no Brasil em 2025, gerando R$ 20,3 bilhões para o Produto Interno Bruto (PIB) e sustentando mais de 332,5 mil empregos em todo o país. Os dados fazem parte de um estudo elaborado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Segundo o levantamento, as 175 unidades de conservação federais abertas à visitação receberam juntas 28,5 milhões de visitantes no ano passado, o maior número desde o início da série histórica, em 2000.
Os parques nacionais concentraram a maior parte desse público, com 13,6 milhões de visitas, acima dos 12,5 milhões registrados no ano anterior. De acordo com o ICMBio, o crescimento está relacionado à melhoria no monitoramento da visitação, investimentos em infraestrutura e serviços, inclusão de novas áreas no sistema e maior valorização dos ambientes naturais no período pós-pandemia.
O estudo aponta ainda que, para cada R$ 1 investido no ICMBio, são gerados R$ 16 em valor agregado ao PIB e R$ 2,30 em arrecadação tributária. A atividade turística nas unidades de conservação arrecadou quase R$ 3 bilhões em impostos, valor superior ao dobro do orçamento total do órgão responsável pela gestão dessas áreas.
O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, destacou que os números reforçam o potencial econômico das áreas protegidas. Segundo ele, desde 2023, o governo federal criou e ampliou 20 unidades de conservação, somando mais de 1,7 milhão de hectares.
“As Unidades de Conservação não são fundamentais apenas para a regulação dos ciclos hidrológicos e do clima, proteção da biodiversidade e controle do desmatamento, mas também contribuem expressivamente para o desenvolvimento da economia em bases sustentáveis”, afirmou.
O presidente do ICMBio, Mauro Pires, ressaltou que os dados evidenciam o papel estratégico do turismo de natureza no desenvolvimento regional.
“Os resultados mostram que as unidades de conservação, como os parques nacionais, são estratégicas para o desenvolvimento do Brasil. Tivemos recorde de visitação e dados robustos de geração de emprego, renda e arrecadação”, afirmou.
Parques mais visitados
O ranking das unidades mais visitadas do país é liderado pelo Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro, que recebeu mais de 4,9 milhões de visitantes em 2025. O local abriga o Cristo Redentor e reúne atrações como Pedra da Gávea, Pedra Bonita, Vista Chinesa e Pico da Tijuca, além de trilhas como a Transcarioca.
Na segunda posição aparece o Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná, com 2,2 milhões de visitas. Além das Cataratas do Iguaçu, o parque ampliou a oferta turística com atividades como cicloturismo, astroturismo, passeios de barco e visitas noturnas para contemplação da lua cheia.
Já o Parque Nacional de Jericoacoara, no Ceará, ficou em terceiro lugar, com 1,3 milhão de visitantes. O destino é conhecido por atrações como Pedra Furada, Árvore da Preguiça e os manguezais do Rio Guriú, além de ser referência nacional para esportes como kitesurf.
Entre as demais categorias de unidades de conservação, o destaque foi para a Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca, em Santa Catarina, que registrou 9,05 milhões de visitas. Pela primeira vez, o levantamento também incorporou dados do Monumento Natural do Rio São Francisco, entre Bahia e Sergipe, que recebeu 1,17 milhão de visitantes.
Crescimento do turismo sustentável
O estudo utilizou o modelo internacional Tourism Economic Model for Protected Areas (TEMPA), reconhecido pela Unesco e pelo Banco Mundial para medir os impactos econômicos do turismo em áreas protegidas.
Além do turismo convencional, o ICMBio destaca que as unidades de conservação atraem visitantes interessados em educação ambiental, pesquisa científica, observação de aves e vida silvestre, escaladas, trilhas e experiências junto a comunidades tradicionais.
O órgão também alerta que o aumento da visitação traz desafios de gestão, como equilibrar o uso turístico com a conservação ambiental, ampliar a infraestrutura, fortalecer ações de educação ambiental e aprimorar o monitoramento dos impactos sobre os ecossistemas.
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