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Gastronomia & Turismo • 16:37h • 08 de março de 2026

Vindima transforma vinícolas em palco de experiências e impulsiona o enoturismo

Colheita da uva atrai milhares de visitantes, celebra a tradição italiana e se fortalece com políticas do Ministério do Turismo de incentivo à produção associada

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações do Mtur | Foto: Arquivo Âncora1

Durante a vindima, vinícolas abrem suas portas e oferecem atividades que vão da colheita manual dos parreirais à tradicional pisa da uva, além de degustações harmonizadas, apresentações culturais e programações gastronômicas.
Durante a vindima, vinícolas abrem suas portas e oferecem atividades que vão da colheita manual dos parreirais à tradicional pisa da uva, além de degustações harmonizadas, apresentações culturais e programações gastronômicas.

"A vindima é a alma da Serra Gaúcha”. É com esse sentimento que o guia de turismo em Bento Gonçalves (RS), Alexandre Facciocchi, define o período que, entre janeiro e março, transforma a paisagem da região e movimenta a economia local. A colheita da uva, ápice do ciclo produtivo do vinho, altera o ritmo das cidades, colore os vinhedos e consolida a Serra Gaúcha como um dos principais destinos de enoturismo do País — movimento que é reforçado por políticas públicas do Ministério do Turismo voltadas à valorização da produção associada nos municípios turísticos, com foco em produtos com Indicação Geográfica (IG).

Mais do que uma etapa agrícola, a vindima tornou-se uma experiência cultural que mobiliza produtores, trabalhadores e milhares de visitantes interessados em acompanhar de perto a colheita, a pisa da uva e as tradições herdadas dos imigrantes italianos. No Rio Grande do Sul, essa herança ultrapassa os parreirais e se firma como ativo estratégico para o turismo e a economia regional.

A Indicação Geográfica reconhece que características, qualidade e reputação estão diretamente ligadas ao território de origem, garantindo proteção ao nome geográfico, agregando valor e reforçando a identidade regional. Ao conferir reconhecimento formal aos produtos locais, isso estimula a organização da cadeia produtiva, amplia a competitividade e impulsiona o desenvolvimento econômico e cultural das regiões produtoras.

“Acreditamos que a vindima representa o fechamento de um ciclo inteiro de cuidado com a terra e o início de outro, o nascimento de um novo vinho. Quando o produto é reconhecido por sua origem, ele passa a se diferenciar por história, qualidade, tradição e inovação. Com políticas públicas, a vindima pode se estruturar cada vez mais como um produto turístico consolidado, fortalecendo todo o ecossistema de desenvolvimento do setor”, destaca o enólogo e produtor Roberto Cainelli.

Como acontece

Durante a vindima, vinícolas abrem suas portas e oferecem atividades que vão da colheita manual dos parreirais à tradicional pisa da uva, além de degustações harmonizadas, apresentações culturais e programações gastronômicas. Regiões a exemplo do Vale dos Vinhedos registram aumento significativo no fluxo de turistas, impulsionando a economia local e fortalecendo pequenos produtores, meios de hospedagem e restaurantes.

De acordo com levantamento produzido pela plataforma Wine Locals sobre o panorama do mercado, o comportamento do consumidor e as tendências do enoturismo, em 2025 o número de experiências comercializadas no Rio Grande do Sul, por exemplo, cresceu 57,8% em relação a 2024.

Quem faz o turismo na ponta

Para quem atua na recepção dos visitantes, a vindima é também um momento simbólico. “No Rio Grande do Sul, representa tradição, identidade e a força da herança dos imigrantes italianos que transformaram a vitivinicultura em um legado cultural. Mais do que a colheita da uva, é um momento de celebração, de união das famílias e de gratidão pela safra”, afirma o guia de turismo, Alexandre Facciocchi.

Segundo ele, a intensa movimentação nas vinícolas reforça o papel estratégico do período para o setor. “Durante a vindima, as vinícolas operam em ritmo acelerado e a procura por experiências cresce significativamente. É uma fase que fortalece o enoturismo, gera encantamento e fideliza visitantes, além de consolidar a Serra Gaúcha como um dos principais destinos de experiências vínicas do país”, completa.

Tradição como atrativo

Para quem participa da experiência, a vivência costuma transformar a relação com o vinho. “Foi maravilhoso poder colher as uvas e participar da pisa. É um contato direto com a natureza e com a terra, além de ser muito relaxante sentir a uva estourando nos pés. Como eu não conhecia bem a fabricação dos vinhos, a viagem também me permitiu aprender detalhes sobre o processo, a tradição, as músicas e como tudo era feito antigamente”, relata a dentista Flávia Souza, que já acompanhou a vindima no Rio Grande do Sul.

Ao unir tradição, cultura e a geração de emprego e renda, a vindima reafirma o potencial do turismo de experiência como ferramenta estratégica de valorização do patrimônio imaterial e de promoção dos destinos brasileiros.

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