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Educação • 15:43h • 27 de novembro de 2025

USP chega às 50 melhores do mundo em ranking de ciência interdisciplinar

Universidade avançou 25 posições no levantamento da THE, mesmo com ampliação do número de avaliadas, reforçando o desempenho na pesquisa em colaboração entre áreas

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Governo de SP

Praça do Relógio, na USP, no Butantã
Praça do Relógio, na USP, no Butantã

A USP avançou da 57ª para a 32ª posição na edição 2026 do Interdisciplinary Science Rankings (ISR), tornando-se a líder no Brasil e na América Latina e a única instituição brasileira entre as 50 melhores do mundo. O ranking, produzido pela Times Higher Education (THE) em parceria com a Schmidt Science Fellows, avalia como as universidades promovem a ciência interdisciplinar — pesquisas que conectam diferentes áreas do conhecimento para enfrentar desafios complexos.

O Brasil aparece com 37 instituições na lista. Entre as cinco mais bem colocadas estão a própria USP (32º lugar), seguida pela Unesp (86º), pela Unifesp (144º), pela UFRJ (177º) e pela UFMG, que ficou no grupo entre as posições 201 e 250.

No cenário global, os Estados Unidos dominam o topo do ranking. O MIT permanece em primeiro lugar pelo segundo ano consecutivo, seguido por Stanford, Caltech e UC Berkeley. A universidade mais bem colocada da Ásia é a Nanyang Technological University (NTU), de Singapura, que ocupa o quinto lugar. Na Europa, o destaque é a Universidade Wageningen, dos Países Baixos, na nona posição. A Índia é o país com mais universidades listadas — 88 no total.

A metodologia do ISR define ciência interdisciplinar como projetos que combinam duas ou mais disciplinas científicas ou integram ciência com áreas não STEM, como educação, direito, economia ou saúde. Criado em 2025, o ranking ampliou em 2026 seu escopo para incluir colaborações com ciências sociais e áreas clínicas, refletindo a crescente importância de pesquisas cruzadas.

A edição 2026 avaliou 911 universidades de 94 países, um aumento de 22% em relação ao primeiro ano. As instituições são analisadas com base em 11 métricas divididas em três pilares: insumos (19%), processo (16%) e resultados (65%). Esse último tem maior peso e considera volume e qualidade das publicações interdisciplinares, impacto fora da disciplina de origem e reputação acadêmica, medida por uma pesquisa com pesquisadores. No total, o ranking utiliza mais de 174,9 milhões de citações registradas entre 2020 e 2024 na base Scopus.

Para participar, uma universidade precisa ter pelo menos 100 artigos interdisciplinares publicados no período avaliado, 50 pesquisadores elegíveis e os mesmos dados fornecidos ao World University Rankings da THE.

A coordenadora do Escritório de Gestão de Indicadores de Desempenho Acadêmico (Egida), Fátima Nunes, destaca o esforço da USP para aprimorar o monitoramento das pesquisas interdisciplinares, o que contribuiu para o resultado expressivo. Ela afirma que esse processo deve ser contínuo para aprofundar o conhecimento institucional sobre potencialidades e desafios.

A apresentação dos resultados ocorreu em 20 de novembro, em Washington (EUA), durante o THE Interdisciplinary Science Forum. Representando a USP, o pró-reitor de Pesquisa e Inovação, Paulo Nussenzveig, participou de um painel sobre como diferentes contextos institucionais influenciam a capacidade de ampliar modelos interdisciplinares.

Para Nussenzveig, a ascensão da 57ª para a 32ª posição é ainda mais significativa diante do aumento no número de instituições avaliadas. Ele ressaltou que a USP tem vocação para pesquisas que atravessam diferentes áreas do conhecimento e que iniciativas como a criação de centros temáticos têm reforçado esse perfil. Segundo ele, ambientes diversos e internacionalizados são essenciais para o desenvolvimento da ciência interdisciplinar.

O encontro também teve participação de representantes de universidades como Cape Town, Duke, Copenhague, Imperial College London, UC Berkeley, Harvard, ETH Zurique, entre outras.


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