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Saúde • 11:05h • 08 de junho de 2026

Uso indiscriminado de corticoides pode causar glaucoma e cegueira

Especialistas alertam para riscos da automedicação

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1

O glaucoma é uma doença que afeta o nervo óptico, provocada pela elevação da pressão ocular e não tem cura. Quando não é tratada, pode levar à cegueira.
O glaucoma é uma doença que afeta o nervo óptico, provocada pela elevação da pressão ocular e não tem cura. Quando não é tratada, pode levar à cegueira.

O uso indiscriminado de medicamentos à base de corticoides, especialmente sem orientação médica, pode aumentar significativamente o risco de glaucoma, doença que danifica o nervo óptico e pode levar à cegueira quando não tratada. O alerta é do presidente da Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG), Roberto Murad Vessani.

Atualmente, estima-se que cerca de 1,7 milhão de brasileiros convivam com a doença. A incidência aumenta com a idade e atinge entre 2,5% e 3,5% das pessoas com mais de 40 anos.

Os corticoides são amplamente utilizados para controlar inflamações e alergias, estando presentes em colírios, pomadas, comprimidos e outros medicamentos. Como costumam proporcionar alívio rápido dos sintomas, muitas pessoas acabam reutilizando esses produtos por conta própria, sem acompanhamento médico.

No entanto, o uso prolongado dessas substâncias pode comprometer a drenagem natural do líquido presente dentro dos olhos. Com isso, a pressão intraocular aumenta e, ao longo do tempo, pode causar danos irreversíveis ao nervo óptico, favorecendo o desenvolvimento do glaucoma.

Além dos riscos à saúde ocular, o uso inadequado de corticoides também está associado a outros problemas, como aumento dos níveis de glicose no sangue, agravamento do diabetes, ganho de peso, retenção de líquidos, hipertensão, enfraquecimento dos ossos, alterações hormonais e maior suscetibilidade a infecções.

Diante da preocupação com o crescimento dos casos relacionados ao uso inadequado desses medicamentos, a Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG), o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP) encaminharam uma nota pública à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ao Ministério da Saúde, ao Congresso Nacional e a entidades médicas de diversas especialidades. O objetivo é alertar sobre os riscos do uso indiscriminado de corticoides e defender medidas mais rigorosas para a sua comercialização.

Segundo Vessani, o problema já pode ser considerado uma questão de saúde pública. As entidades também buscam sensibilizar autoridades para que os corticoides passem a ter um controle semelhante ao dos antibióticos, cuja venda exige receita médica com retenção de uma das vias pela farmácia.

O especialista destaca que o risco não se limita à oftalmologia. Diversas especialidades médicas, como ortopedia, reumatologia, pediatria e geriatria, utilizam corticoides em seus tratamentos. Em muitos casos, o paciente já pode apresentar glaucoma sem diagnóstico ou ter predisposição à doença.

Entre as pessoas que já convivem com o glaucoma, a preocupação é ainda maior. De acordo com a SBG, cerca de 90% desses pacientes são sensíveis aos efeitos dos corticoides, o que pode provocar elevações significativas da pressão ocular e acelerar a progressão da doença.

O alerta também se estende às crianças. Em casos de alergias oculares, o uso frequente de colírios com corticoides sem acompanhamento médico pode causar aumento da pressão intraocular e até favorecer o surgimento precoce da catarata.

Na avaliação dos especialistas, o controle mais rigoroso da venda de corticoides ajudaria a reduzir os casos de automedicação e garantiria maior segurança aos pacientes. Além disso, campanhas de conscientização vêm sendo realizadas para informar profissionais de saúde e a população sobre os riscos associados ao uso prolongado dessas substâncias.

As entidades recomendam que pacientes que utilizam corticoides por períodos prolongados façam acompanhamento oftalmológico regular, com monitoramento da pressão intraocular, especialmente crianças, idosos e pessoas com fatores de risco para glaucoma.

Segundo Roberto Vessani, a prevalência da doença praticamente dobra a cada década após os 40 anos. Por isso, o cuidado deve ser redobrado entre idosos, que frequentemente necessitam de tratamentos contínuos com corticoides para outras condições de saúde.

Para os especialistas, ampliar a informação e a conscientização sobre os efeitos desses medicamentos é fundamental para prevenir danos permanentes à visão e evitar novos casos de glaucoma relacionados ao uso inadequado de corticoides.

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