Ciência e Tecnologia • 13:03h • 20 de maio de 2026
Uso de Inteligência Artificial cresce na saúde brasileira, mas ainda se concentra em tarefas operacionais
Pesquisa mostra que 18% dos estabelecimentos de saúde já utilizam IA no país, com maior presença em hospitais de grande porte e serviços de diagnóstico
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da CW Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
A adoção de Inteligência Artificial (IA) pelos estabelecimentos de saúde brasileiros continua avançando, mas ainda está concentrada principalmente em tarefas operacionais e administrativas. Dados da 12ª edição da pesquisa TIC Saúde 2025 mostram que 18% das instituições do setor já utilizam algum tipo de IA, percentual que sobe para 31% nos hospitais com mais de 50 leitos e chega a 29% nos Serviços de Apoio Diagnóstico e Terapêutico (SADT).
O levantamento foi divulgado pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), por meio do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), ligado ao Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br).
Segundo a pesquisa, os modelos de IA generativa lideram entre as tecnologias mais utilizadas, presentes em 76% dos estabelecimentos que já adotam inteligência artificial. Na sequência aparecem mineração de texto, com 52%, e automação de processos, com 48%. As principais aplicações estão ligadas à organização de processos clínicos e administrativos, seguida por ações relacionadas à segurança digital e aumento da eficiência dos tratamentos.
IA avança mais em hospitais maiores
Os dados mostram que o avanço da Inteligência Artificial ocorre de maneira desigual dentro do sistema de saúde brasileiro. Enquanto hospitais maiores apresentam índices mais elevados de adoção tecnológica, estabelecimentos menores ainda enfrentam dificuldades estruturais e financeiras para incorporar soluções mais avançadas.
Segundo Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br, a pesquisa ampliou em 2025 o escopo de investigação sobre IA e Big Data para todos os estabelecimentos com computador, e não apenas aqueles que possuíam áreas formais de tecnologia da informação. “Nos últimos anos, observamos uma rápida disseminação das tecnologias de Inteligência Artificial. Por isso, tornou-se importante ampliar a investigação para compreender como essas tecnologias vêm sendo incorporadas pelo conjunto dos estabelecimentos de saúde”, afirma.
Entre os hospitais com mais de 50 leitos, os principais obstáculos para adoção da IA são custos elevados, apontados por 63% dos gestores, além da falta de prioridade institucional e limitações relacionadas a dados e capacitação profissional. Nos SADT, predominam fatores como falta de interesse, ausência de prioridade estratégica e preocupações relacionadas à privacidade das informações dos pacientes.
Big Data ainda tem uso limitado no setor
Apesar do crescimento da IA, o uso de Big Data ainda permanece restrito dentro da saúde brasileira. Segundo o levantamento, apenas 9% dos estabelecimentos realizaram análises baseadas em Big Data em 2025. O índice sobe para 30% entre hospitais de maior porte e chega a 11% nas instituições privadas.
As análises se concentram principalmente em informações geradas pelas próprias instituições, como prontuários eletrônicos e registros administrativos. Para Luciana Portilho, coordenadora de projetos de pesquisa do Cetic.br, o avanço da IA exige não apenas infraestrutura tecnológica, mas também profissionais capacitados e regulamentação adequada.
“O avanço do uso da Inteligência Artificial na saúde exige profissionais qualificados para que essa tecnologia seja aplicada de forma segura e responsável. Além disso, a consolidação de diretrizes e marcos regulatórios é fundamental para sustentar a adoção ética da IA em um setor que lida com informações sensíveis”, explica.
Troca de dados entre sistemas ainda é desafio
A pesquisa também aponta dificuldades relacionadas à interoperabilidade dos sistemas de saúde no Brasil. Embora 92% dos estabelecimentos já utilizem sistemas eletrônicos para registro de informações dos pacientes, menos da metade possui estrutura para troca eletrônica de dados com outras instituições.
Segundo o levantamento, apenas 44% dos estabelecimentos conseguem enviar ou receber encaminhamentos eletrônicos de pacientes. A integração à Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), considerada estratégica pelo Ministério da Saúde para ampliar a continuidade do atendimento, alcança atualmente 44% das instituições pesquisadas.
A presença da RNDS é mais forte nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), onde chega a 72%, e no setor público, com 64%. “A interoperabilidade entre os sistemas de saúde pode contribuir para ampliar a eficiência dos serviços e melhorar a experiência do paciente, ao facilitar o compartilhamento seguro de informações clínicas entre diferentes estabelecimentos”, afirma Luciana Portilho.
Serviços digitais e telessaúde continuam crescendo
A digitalização também vem ampliando os serviços online oferecidos aos pacientes. Em 2025, 39% dos estabelecimentos disponibilizaram acesso online a resultados de exames, enquanto 34% ofereceram agendamento digital de consultas e 32% permitiram marcação online de exames.
O maior crescimento ocorreu nos canais digitais de interação entre pacientes e equipes de saúde, que passaram de 16% em 2023 para 35% em 2025. A pesquisa ainda identificou expansão gradual dos serviços de telessaúde. A teleconsultoria aparece como modalidade mais difundida, presente em 36% das instituições, seguida por teleconsulta, telediagnóstico e telemonitoramento.
Segurança digital ainda avança lentamente
A segurança da informação e a proteção de dados seguem como áreas de atenção dentro da saúde brasileira. Segundo o estudo, apenas 42% dos estabelecimentos possuem política formal de segurança da informação. A adesão é maior no setor privado, onde chega a 54%, enquanto no setor público o índice é de 28%.
Embora quase metade das instituições tenha realizado treinamentos sobre segurança digital, medidas mais estruturadas relacionadas à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) ainda aparecem de forma limitada. A definição de encarregados de dados e a criação de planos de resposta a incidentes, por exemplo, são adotadas por cerca de 30% dos estabelecimentos.
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