Ciência e Tecnologia • 13:08h • 07 de agosto de 2026
Unesp identifica sinais no sangue que podem antecipar piora de pacientes com parada cardiorrespiratória
Estudo realizado em Botucatu encontrou biomarcadores associados à sobrevivência e ao risco de morte, abrindo caminho para novas estratégias de prevenção e tratamento intensivo
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Unesp | Foto: Divulgação
Um estudo conduzido pela Faculdade de Medicina da Unesp, no câmpus de Botucatu, identificou biomarcadores presentes no sangue que podem ajudar a prever a evolução clínica de pacientes internados que sofrem uma parada cardiorrespiratória. A descoberta representa um avanço importante na busca por intervenções mais precoces em uma condição considerada uma das mais graves dentro dos hospitais, com índice de letalidade em torno de 85%.
A pesquisa analisou amostras de sangue coletadas de 199 pacientes atendidos no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu entre agosto de 2021 e abril de 2023. O material havia sido obtido em exames de rotina realizados até 48 horas antes da parada cardiorrespiratória, permitindo aos pesquisadores investigar alterações metabólicas que antecederam o evento.
Biomarcadores podem indicar pior evolução
Os cientistas identificaram alterações em dois metabólitos relacionados aos desfechos clínicos dos pacientes: 2-metilbutiril-L-carnitina e triptofano.
O primeiro apresentou níveis mais elevados em pacientes que não conseguiram recuperar a circulação espontânea após a parada cardiorrespiratória e também naqueles que evoluíram para óbito.
Já o triptofano foi encontrado em concentrações menores entre os pacientes que morreram quando comparados aos que sobreviveram. Esse aminoácido, obtido por meio da alimentação, participa da produção de substâncias importantes para o organismo, como a serotonina e a melatonina.
Descoberta abre novas linhas de pesquisa
Os resultados foram publicados na revista científica Scientific Reports e fazem parte da tese de doutorado da pesquisadora Taline Lazzarin, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Fisiopatologia em Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Unesp, sob orientação do professor Marcos Ferreira Minicucci.
Segundo Taline, a pesquisa ajuda a compreender processos biológicos que ocorrem antes da parada cardiorrespiratória.
Ela explica que os biomarcadores identificados indicam vias metabólicas que parecem estar mais ativas nos pacientes com pior evolução clínica. O próximo passo será investigar se é possível interferir nesses mecanismos para melhorar o prognóstico dos pacientes.
Pesquisa já parte de dados obtidos em seres humanos
Para o professor Marcos Ferreira Minicucci, um dos diferenciais do estudo é que toda a investigação foi realizada utilizando amostras de sangue de pacientes internados, e não em modelos experimentais.
De acordo com o pesquisador, isso aproxima a ciência da aplicação clínica, já que os biomarcadores foram identificados diretamente em seres humanos, reduzindo a distância entre a pesquisa e futuras possibilidades de tratamento.
Embora ainda esteja em fase inicial, a expectativa dos pesquisadores é que os resultados contribuam para o desenvolvimento de estratégias capazes de identificar pacientes com maior risco antes da parada cardiorrespiratória, permitindo intervenções mais rápidas e aumentando as chances de sobrevivência.
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