Mundo • 07:11h • 11 de setembro de 2026
Uma geração sem memória das Torres Gêmeas: o mundo chega aos 25 anos do 11 de Setembro
Uma geração inteira nasceu sem ter visto as Torres Gêmeas de pé, enquanto atentados que mataram quase 3 mil pessoas continuam presentes na política, na segurança, nas guerras e na memória de quem assistiu à história acontecer ao vivo
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Foto: Reprodução/Netflix
Há exatamente 25 anos, na manhã de 11 de setembro de 2001, quatro aviões comerciais sequestrados transformaram uma terça-feira comum nos Estados Unidos em um dos acontecimentos mais marcantes da história contemporânea. Dois atingiram as Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova York, um atingiu o Pentágono, na Virgínia, e o quarto caiu na Pensilvânia. Quase 3 mil pessoas morreram. Nesta sexta-feira, 11 de setembro de 2026, o mundo chega a um quarto de século dos atentados com uma diferença cada vez mais evidente: milhões de adultos de hoje sequer eram nascidos quando tudo aconteceu.
Para quem viveu aquele dia, algumas imagens permanecem difíceis de separar da própria lembrança de 2001. O avião atravessando uma das torres, o fogo nos edifícios, pessoas correndo pelas ruas cobertas de poeira e, depois, o colapso de estruturas que pareciam fazer parte permanente da paisagem de Nova York. Para quem nasceu depois, o 11 de Setembro chegou de outra maneira: por livros, vídeos, documentários, aulas, relatos familiares e imagens arquivadas na internet.
É essa distância de 25 anos que transforma o aniversário de 2026 em algo diferente. O 11 de Setembro deixou de ser apenas uma memória compartilhada por quem estava diante da televisão naquele dia. Já existe uma geração adulta inteira que conhece o acontecimento como história. Ao mesmo tempo, boa parte do mundo em que essa geração cresceu foi moldada pelas consequências daqueles ataques.
O dia em que o mundo acompanhou tudo pela televisão
Às 8h46, no horário de Nova York, o voo 11 da American Airlines atingiu a Torre Norte do World Trade Center. Inicialmente, ainda havia dúvidas sobre o que havia acontecido. Às 9h03, quando o voo 175 da United Airlines atingiu a Torre Sul diante das câmeras, a dimensão do ataque começou a ficar evidente.
Pouco depois, o voo 77 da American Airlines atingiu o Pentágono. O quarto avião sequestrado, o voo 93 da United Airlines, caiu próximo a Shanksville, na Pensilvânia, depois que passageiros e tripulantes reagiram aos sequestradores. O alvo pretendido não foi alcançado.
Às 9h59, a Torre Sul desabou. Às 10h28, caiu a Torre Norte. Em menos de duas horas, um dos conjuntos arquitetônicos mais reconhecidos do planeta havia desaparecido do horizonte de Manhattan.
A cobertura televisiva transformou o atentado em uma experiência global praticamente simultânea. Em diferentes países e fusos horários, milhões de pessoas acompanharam os acontecimentos enquanto ainda não se sabia quantos ataques poderiam ocorrer, quem estava por trás deles ou o que aconteceria nas horas seguintes.
Quem nasceu depois cresceu dentro das consequências
Uma pessoa nascida em 2002 completa 24 anos em 2026. Quem nasceu cinco anos depois dos ataques já chega aos 19. Para essa parcela da população, não existe memória de um mundo anterior ao 11 de Setembro.
Mas muitas características desse mundo posterior foram diretamente influenciadas pelos atentados. Procedimentos de segurança em aeroportos foram profundamente reforçados, políticas de vigilância ganharam dimensão inédita e terrorismo internacional tornou-se elemento central das decisões de segurança e política externa de diferentes governos.
Os Estados Unidos responderam declarando a chamada Guerra ao Terror. Em outubro de 2001, forças americanas iniciaram a guerra no Afeganistão contra o Talibã e a rede Al-Qaeda, responsabilizada pelos ataques. Em 2003, começou a Guerra do Iraque, inserida pelo governo de George W. Bush na estratégia mais ampla adotada após os atentados, embora o Iraque não tenha sido responsável pelo 11 de Setembro.
Vieram duas décadas de conflitos, operações militares, atentados em diferentes países, mudanças geopolíticas, debates sobre vigilância, tortura, direitos civis e os limites da resposta ao terrorismo.
Uma guerra terminou 20 anos depois
O Afeganistão tornou-se um dos símbolos mais duradouros daquele novo período. A presença militar americana iniciada após os atentados atravessou quatro presidências e terminou somente em 2021.
A retirada dos Estados Unidos ocorreu quase exatamente 20 anos depois do início da guerra. O Talibã retomou rapidamente o controle do país, produzindo uma das imagens mais simbólicas do encerramento daquele ciclo.
Osama bin Laden, fundador da Al-Qaeda e apontado como mentor dos atentados, havia sido morto dez anos antes, em maio de 2011, durante uma operação americana no Paquistão.
O mundo que chega a 2026, porém, é muito diferente daquele de 2001. As prioridades geopolíticas mudaram, novas guerras surgiram, redes sociais transformaram a circulação da informação e uma parcela crescente da população conhece o 11 de Setembro apenas por registros históricos.
Quando a história deixa de ser lembrança
A passagem de 25 anos também muda a maneira como o episódio é contado. Crianças que perderam pais nos ataques chegaram à vida adulta. Jovens que assistiram às Torres Gêmeas desabarem estão hoje na meia-idade. E crianças nascidas naquele ano se aproximam dos 25 anos.
Essa passagem entre memória e história aparece também na produção cultural. A Netflix disponibiliza o documentário Ponto de Virada: Geração 11 de Setembro, dedicado justamente a examinar o legado dos ataques 25 anos depois, incluindo o impacto sobre crianças que perderam os pais e sobre a geração que cresceu sob a sombra daquele acontecimento.
A plataforma também mantém a série documental Ponto de Virada: 11/9 e a Guerra contra o Terror, que retorna às origens da Al-Qaeda e acompanha a resposta americana aos ataques e seus desdobramentos.
Documentários como esses cumprem hoje uma função que se torna mais importante à medida que aumenta a distância temporal: apresentar a uma nova geração não apenas as imagens das torres atingidas, mas o contexto e as consequências de um acontecimento que reorganizou parte das relações internacionais do início do século XXI.
O mundo pós-11 de Setembro já tem 25 anos
Para milhões de pessoas, lembrar o 11 de Setembro ainda significa recordar onde estavam quando receberam a notícia ou quando ligaram a televisão. Para outras milhões, essa pergunta simplesmente não existe.
Essa talvez seja uma das marcas mais fortes dos 25 anos. Pela primeira vez, uma parcela expressiva dos adultos que discutem política, trabalham, viajam, votam e acompanham as guerras atuais nasceu em um mundo no qual o 11 de Setembro já havia acontecido.
As Torres Gêmeas deixaram de existir naquela manhã de 2001. No local onde ficava o World Trade Center foram construídos memoriais às vítimas e um novo complexo, dominado pelo One World Trade Center. O aniversário de um quarto de século encontra Nova York transformada, mas ainda marcada fisicamente pela memória daquele dia.
Nesta sexta-feira, 25 anos separam as imagens transmitidas ao vivo da geração que hoje as encontra em uma tela sob a classificação de documentário histórico. O tempo avançou. O mundo construído depois daquele 11 de setembro ainda está aqui.
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