Saúde • 10:10h • 16 de agosto de 2026
Um exame normal não significa que está tudo bem: o erro comum no check-up masculino
Avaliação com o urologista vai além da próstata e pode identificar alterações nos rins, bexiga, testículos, vias urinárias, saúde sexual e hormonal antes mesmo do aparecimento de sintomas
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Divulgação
Fazer um exame de sangue relacionado à próstata, receber um resultado normal e considerar o check-up encerrado pode transmitir uma falsa sensação de segurança. O alerta é do urologista Rodolfo José Favaretto Filho, que chama atenção para a importância de uma avaliação mais completa da saúde masculina, capaz de considerar idade, histórico familiar, hábitos, sintomas e fatores individuais de risco.
A preocupação com a próstata tem motivos. O Instituto Nacional de Câncer estima cerca de 78 mil novos casos da doença por ano no Brasil entre 2026 e 2028. Mas concentrar toda a prevenção masculina em um único exame pode deixar outras questões importantes fora do acompanhamento.
“Existe uma falsa sensação de segurança. Muitos homens fazem apenas o exame de sangue relacionado à próstata, recebem um resultado normal e acreditam que está tudo certo”, explica Favaretto. Segundo o especialista, a avaliação deve considerar também a história clínica, o exame físico e outras investigações quando houver indicação.
A consulta olha muito além da próstata
Rins, bexiga, testículos, vias urinárias, fertilidade, saúde sexual e condições hormonais também fazem parte da área de atenção do urologista. Algumas alterações podem surgir de maneira silenciosa ou provocar sinais que acabam sendo atribuídos simplesmente ao avanço da idade.
Mudanças para urinar ou na função sexual, por exemplo, merecem avaliação em vez de autodiagnóstico. O objetivo é entender a origem do sintoma e verificar se existe alguma condição que precise de acompanhamento ou tratamento.
O desafio é que parte dos homens ainda procura atendimento apenas quando surge dor ou quando algum problema começa a interferir diretamente na rotina. Segundo o médico, identificar alterações mais cedo tende a ampliar as possibilidades de tratamento e controle, além de ajudar na preservação da qualidade de vida.
Nem todo homem precisa dos mesmos exames
Também não existe uma lista universal de exames que todos devam repetir da mesma maneira. Idade, condições de saúde, histórico familiar, hábitos e fatores de risco ajudam o médico a definir o que precisa ser investigado e com qual frequência.
Em relação especificamente à próstata, a Sociedade Brasileira de Urologia recomenda que homens a partir dos 50 anos conversem com um urologista sobre a avaliação, mesmo sem sintomas. Para aqueles com fatores de risco, como histórico familiar da doença, obesidade ou homens negros, a orientação é iniciar essa conversa aos 45 anos.
“Não existe uma lista única de exames que funcione para todos. Cada homem possui uma história e riscos diferentes”, reforça Favaretto.
Mais do que procurar atendimento quando alguma coisa incomoda, o acompanhamento periódico permite discutir mudanças percebidas no organismo e avaliar riscos antes que determinados problemas comprometam a rotina. O exame da próstata pode fazer parte desse cuidado, mas não deve ser confundido com uma avaliação completa da saúde masculina.
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