Ciência e Tecnologia • 19:28h • 03 de novembro de 2025
Um em cada quatro brasileiros vê benefício emocional em conversar com “thanabots”
Estudo investiga como a inteligência artificial começa a integrar o processo de luto e a memória afetiva, trazendo novas reflexões éticas e emocionais
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Nova PR | Foto: Arquivo/Âncora1
O Dia de Finados, celebrado em 2 de novembro, é tradicionalmente um momento de lembrança e reflexão sobre a perda. Mas com o avanço da tecnologia, o processo de luto começa a ganhar novas dimensões. Um estudo inédito da ESPM, conduzido pelo Centro de Estudos Aplicados de Marketing (CEAM), revela que 25% dos brasileiros aceitariam conversar com avatares digitais realistas de entes falecidos, criados por meio de inteligência artificial.
Essas simulações, conhecidas como thanabots, utilizam dados, imagens e registros de voz para recriar interações simbólicas com pessoas que já morreram. O levantamento da ESPM ouviu 267 participantes que perderam entes queridos nos últimos dois anos e buscou compreender o papel dessas tecnologias no conforto emocional e na preservação da memória afetiva.
De acordo com os resultados, um em cada quatro entrevistados afirmou que se sentiria confortável ao conversar com um avatar desse tipo, e quase 40% acreditam que a tecnologia já oferece realismo suficiente para promover interações simbólicas e críveis. Além disso, 25% apontam benefícios emocionais no uso dos thanabots durante o processo de luto.
Para a pesquisadora Thamiris Magalhães, integrante da equipe do estudo, o uso dessas ferramentas pode representar uma forma de enfrentamento. “A perda de um ente querido é uma experiência emocional muito forte, e escapar, mesmo que momentaneamente disto, é o primeiro pensamento de quem perde alguém”, afirma.
Riscos e desafios
Thamiris pondera, contudo, que o tema envolve riscos e demanda cautela. “Para a pessoa que fica, todo dia é dia de luto, e lidar com estas emoções é um desafio grande. Emerge uma questão ética naturalmente sobre este assunto. Estes serviços buscam preservar os aspectos éticos, mas auxiliam na tarefa de elaborar a perda.”
A pesquisa também indica que 64% dos participantes afirmam pensar ativamente em estratégias para lidar com desafios da vida, o que demonstra predisposição ao uso de recursos que possam apoiar o enfrentamento emocional.
Segundo Flávio Santino Bizarrias, pesquisador do estudo e coordenador do CEAM, a tecnologia emocional começa a ganhar espaço entre os brasileiros. “Mais da metade dos entrevistados conta com uma rede de apoio que os encorajaria a recorrer a soluções tecnológicas no processo de luto.” Ele observa ainda que um terço dos participantes ainda se sente assustado com a ideia da morte, o que mostra que a abertura à inovação convive com o desconforto natural diante da finitude.
“A pesquisa mostra que os brasileiros estão mais dispostos a discutir temas que antes eram evitados e a incorporar a inovação de forma mais humana. Essa abertura revela um novo campo de reflexão sobre como a tecnologia pode contribuir para o acolhimento e o bem-estar emocional”, conclui Bizarrias.
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