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Educação • 12:01h • 19 de fevereiro de 2026

Um ano sem celular na sala: escolas relatam mudanças na atenção e no convívio

Após 12 meses da Lei Federal nº 15.100/2025, instituições relatam melhora na atenção, no convívio e no engajamento dos estudantes

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da V3com Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1

Restrição ao uso de celulares completa um ano e muda rotina nas escolas
Restrição ao uso de celulares completa um ano e muda rotina nas escolas

Um ano após a entrada em vigor da Lei Federal nº 15.100/2025, que restringe o uso de celulares nas escolas, os reflexos da medida começam a aparecer de forma mais consistente no cotidiano das instituições de ensino. A norma, aplicada em todo o país, alterou a dinâmica em sala de aula e nos intervalos, reposicionando o tempo escolar e a relação dos estudantes com a tecnologia.

Desde fevereiro de 2025, a utilização de aparelhos eletrônicos passou a ser limitada durante o período das aulas, salvo quando há finalidade pedagógica definida. A proposta da legislação é equilibrar o uso da tecnologia no ambiente escolar, reduzindo distrações e fortalecendo o foco na aprendizagem.

Relatos de escolas indicam melhora na atenção dos alunos, maior participação nas atividades e redução de conflitos relacionados ao uso indevido de celulares. Coordenadores pedagógicos também apontam avanços na convivência e no engajamento coletivo.

Segundo Rafael Rodrigues, coordenador socioeducacional responsável pelo Ensino Médio do Marista Brasil, a restrição contribuiu para resgatar o espaço da escola como ambiente de interação presencial. De acordo com ele, a diminuição do uso de aparelhos favoreceu trocas mais significativas entre estudantes e ampliou o envolvimento nas atividades propostas.

A motivação da lei tem respaldo em dados internacionais. A edição de 2022 do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, o Pisa, apontou que 80% dos alunos afirmaram que o uso do celular prejudica a concentração em sala, especialmente nas aulas de matemática. Além do impacto pedagógico, especialistas associam o uso excessivo de telas ao aumento da ansiedade, à comparação social e à redução das interações presenciais.

Mudanças no cotidiano escolar do país

Instituições da rede Marista Brasil, que reúne 97 colégios no país, monitoraram os efeitos da medida ao longo de 2025. No Colégio Marista São José Tijuca, no Rio de Janeiro, pesquisa interna apontou que 72% dos estudantes passaram a conversar mais durante o recreio. A frequência na biblioteca aumentou 40% nos intervalos e o uso de pátios e quadras para atividades livres cresceu 68%.

No Distrito Federal, o Colégio Marista Águas Claras registrou, segundo a direção, aulas mais tranquilas e maior atenção dos estudantes. Em Alfenas, Minas Gerais, atividades como montagem de quebra-cabeças ganharam destaque nos intervalos. Em unidades de São Paulo, houve aumento na procura por teatro, musical e circo.

Samantha Calsani, professora de teatro do Colégio Marista Champagnat, afirma que a atividade tem funcionado como espaço de expressão, cooperação e desenvolvimento de habilidades de comunicação.

Equilíbrio e uso consciente

O Ministério da Educação defende que a restrição não representa afastamento da tecnologia, mas reorganização de seu uso. A diretriz é que os recursos digitais sejam aplicados com intencionalidade pedagógica, evitando que o celular se torne elemento de distração constante.

O primeiro ano de vigência da lei indica que a limitação do uso dos aparelhos alterou a dinâmica escolar, reforçando o valor da atenção, da convivência presencial e do tempo dedicado à aprendizagem.

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