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Gastronomia & Turismo • 16:04h • 01 de março de 2026

Turismo e aventura: Nordeste tem trilha de 180 km que conecta biomas entre o Piauí e o Ceará

Totalmente sinalizada, rota de longo curso "Caminhos da Ibiapaba" cruza Caatinga, Mata Atlântica e Cerrado, possibilitando imersão em sítios arqueológicos e fortalecendo a geração de renda por meio do turismo de base comunitária

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Gov | Foto: João Luiz - MTur

Parque Nacional de Sete Cidades (PI), o Parque Nacional de Ubajara (CE) e a Área de Proteção Ambiental (APA) Serra da Ibiapaba (CE e PI).
Parque Nacional de Sete Cidades (PI), o Parque Nacional de Ubajara (CE) e a Área de Proteção Ambiental (APA) Serra da Ibiapaba (CE e PI).

Cruzar a pé ou de bicicleta paisagens que misturam a resiliência da Caatinga, a exuberância da Mata Atlântica e a diversidade do Cerrado: essa é a proposta da recém-lançada trilha Caminhos da Ibiapaba, um percurso de 180 quilômetros que conecta o Piauí ao Ceará. Muito mais do que uma rota de ecoturismo e aventura, a iniciativa desponta como um novo motor de desenvolvimento sustentável para a região.

Dividida em 13 trechos, que integram os municípios cearenses de Tianguá, Ubajara e Ibiapina, além das cidades piauienses de São João da Fronteira, Brasileira e Piracuruca, a rota liga três importantes unidades de conservação: o Parque Nacional de Sete Cidades (PI), o Parque Nacional de Ubajara (CE) e a Área de Proteção Ambiental (APA) Serra da Ibiapaba (CE e PI).

A trilha Caminhos da Ibiapaba é uma das 22 rotas homologadas pela Rede Nacional de Trilhas de Longo Curso e Conectividade (RedeTrilhas), política pública coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em parceria com o Ministério do Turismo. É a primeira do gênero a cruzar a Caatinga.

“O lançamento da Caminhos da Ibiapaba reforça o compromisso do Governo do Brasil com um modelo de turismo que alia experiência, conservação e inclusão produtiva. A trilha consolida o Nordeste como referência em turismo sustentável, gerando oportunidades, estimulando o empreendedorismo local e promovendo o desenvolvimento regional de forma planejada e responsável”, disse o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano.

Conheça a trilha

Ao longo do caminho, 100% sinalizado com o padrão nacional — caracterizado pelas famosas pegadas amarelas e pretas —, os visitantes mergulham em mirantes, cachoeiras e sítios arqueológicos, enquanto as comunidades locais ganham novas oportunidades de trabalho e renda com a oferta de serviços, alimentação e hospedagem.

Com a garantia de uma navegação segura tanto para quem prefere a aventura autônoma quanto para os que optam pelo enriquecedor acompanhamento de guias locais, a trilha já se consolida como um produto turístico estruturado, com operadores, condutores de visitantes e ampla rede de hospedagem cadastrada como parceira.

Meios de hospedagem e empreendimentos gastronômicos foram mapeados e convidados a integrar a iniciativa, recebendo placas oficiais de identificação e adesão ao projeto. A novidade amplia o portfólio de experiências responsáveis no país, como explica Fabiana Oliveira, coordenadora-geral de Produtos e Experiências Turísticas do Ministério do Turismo. “Trilhas de longo curso como a Caminhos da Ibiapaba fortalecem as cadeias produtivas locais, estimulam o turismo de base comunitária, valorizam o patrimônio e ampliam a visibilidade de destinos alinhados às boas práticas de conservação”, ressalta a técnica.

O coordenador técnico do projeto de implementação da trilha, Thiago Beraldo, destaca a potencialidade do novo atrativo turístico para a região. “Para além da importância ambiental, é essencial que iniciativas como essas gerem também valor social e econômico para os proprietários das áreas privadas localizadas no roteiro e para as comunidades encontradas no percurso”, afirmou.

O projeto de implementação do primeiro percurso de longo curso a cruzar a Caatinga foi desenvolvido pelo Instituto Brasileiro de Administração Municipal (Ibam) junto aos governos locais, com apoio do programa GEF Terrestre, uma iniciativa do MMA financiada pelo Global Environment Facility (GEF), tendo o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) como parceiro executor e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) como agência implementadora.

Envolvimento da comunidade

A construção do roteiro, que já é um produto estruturado, resgata a cultura dos antigos tropeiros e caixeiros-viajantes e envolveu o engajamento direto de moradores e proprietários rurais.

Com o apoio de gestores ambientais, trechos antigos foram redesenhados para privilegiar áreas sombreadas e mirantes naturais. “É uma travessia completa, com elementos naturais, culturais e possibilidades diversas de uso, resgatando a cultura dos tropeiros e caixeiros-viajantes que ajudaram a construir a história do Nordeste”, aponta Pedro da Cunha e Menezes, diretor de Áreas Protegidas do Ministério do Meio Ambiente.

Um dos grandes destaques são os quase 40 quilômetros reconfigurados dentro do Parque Nacional de Ubajara, substituindo rotas que antes cruzavam rodovias por caminhos imersos na natureza. Em São João da Fronteira (PI), a mobilização comunitária foi tão forte que gerou um roteiro extra: a Trilha de São João da Fronteira, um trajeto curto entre carnaúbas e pinturas rupestres que amplia as opções para visitantes de todas as idades.

“Com a iniciativa, o ICMBio avança na sua missão de conservar a natureza com as pessoas, oferecendo aos visitantes a oportunidade de conhecerem e se apaixonarem pelas paisagens, monumentos geológicos, fauna e flora conservadas da Serra da Ibiapaba, além de conhecerem a cultura e hospitalidade das comunidades locais, que oferecem diversos pontos de apoio ao longo da travessia”, comenta Carla Guaitanele, coordenadora-geral de Uso Público e Serviços Ambientais do ICMBio.

Na avaliação do FUNBIO, as ações de fomento à trilha fortalecem a consolidação das unidades de conservação como espaços estratégicos de integração entre as agendas ambiental e social. “A Caminhos da Ibiapaba é uma aposta na conservação ambiental como motor de uma economia que inclui as comunidades locais como protagonistas da transformação social”, observa o gerente responsável pelo programa GEF Terrestre, Rodolfo Marçal. “A proposta é que o programa apoie a implementação de outras rotas igualmente estratégicas nos outros dois biomas-alvo do programa, o Pampa e o Pantanal”, completa Marçal.

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