Saúde • 08:42h • 07 de março de 2026
Tumores cerebrais: sintomas ignorados ainda atrasam diagnóstico no Brasil
Sintomas confundidos com estresse, enxaqueca ou ansiedade podem atrasar a identificação da doença e comprometer o tratamento
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Medellin Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
Dor de cabeça persistente, alterações de comportamento, lapsos de memória, crises convulsivas e problemas de visão estão entre os sinais que muitas vezes são atribuídos ao estresse do cotidiano ou a quadros comuns, como enxaqueca e ansiedade. No entanto, esses sintomas também podem indicar tumores cerebrais. Segundo a Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN), o diagnóstico tardio ainda é um dos principais desafios no enfrentamento da doença e pode comprometer significativamente o prognóstico dos pacientes.
Estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA) apontam que cerca de 11.490 novos casos de tumores do Sistema Nervoso Central (SNC), que incluem cérebro e medula espinhal, são registrados todos os anos no Brasil. Desse total, mais de 6 mil ocorrem em homens e cerca de 5,3 mil em mulheres. Aproximadamente 88% desses tumores têm origem no cérebro. No cenário global, esse tipo de câncer representa entre 1,4% e 4% de todos os tumores malignos e está associado a altos índices de morbidade e mortalidade.
O quadro também preocupa em escala mundial. Dados do Global Cancer Observatory (GLOBOCAN), ligado à Organização Mundial da Saúde (OMS), indicam que mais de 321 mil novos casos de tumores cerebrais e do sistema nervoso central foram diagnosticados no mundo em 2022. No mesmo período, cerca de 248 mil mortes foram atribuídas à doença. As taxas ajustadas por idade apontam incidência global de aproximadamente 3,5 casos por 100 mil pessoas e mortalidade de 2,6 óbitos por 100 mil habitantes.
Os tumores cerebrais podem ser benignos ou malignos e atingir pessoas de todas as idades. A dificuldade está no fato de que os sintomas iniciais costumam ser inespecíficos e variam conforme a localização e o tamanho da lesão. Para a diretora de Comunicação da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, Dra. Vanessa Milanese, esse cenário contribui para atrasos na investigação adequada. “Muitos pacientes passam meses tratando sintomas isolados sem uma avaliação neurológica aprofundada, o que faz com que o tumor seja identificado apenas em estágios mais avançados”, alerta.
A especialista explica que dores de cabeça que mudam de padrão, pioram progressivamente ou aparecem acompanhadas de náuseas, vômitos, sonolência excessiva ou alterações neurológicas precisam de avaliação médica. Alterações súbitas de personalidade, dificuldade para falar, perda de força em um dos lados do corpo e crises convulsivas em pessoas sem histórico também devem ser considerados sinais de alerta.
Em crianças, a atenção precisa ser ainda maior. Tumores do sistema nervoso central estão entre os principais cânceres em menores de 15 anos e figuram entre as principais causas de morte por câncer nessa faixa etária, o que reforça a importância da identificação precoce dos sintomas.
Embora o avanço das técnicas de imagem e da neurocirurgia tenha ampliado as possibilidades de tratamento, os especialistas ressaltam que os resultados dependem diretamente da rapidez no diagnóstico. “Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as chances de intervenções menos invasivas e melhores resultados clínicos”, afirma a médica.
A Sociedade Brasileira de Neurocirurgia também destaca a importância da capacitação contínua de profissionais de saúde para reconhecer sinais neurológicos suspeitos e encaminhar rapidamente os pacientes para avaliação especializada. A conscientização sobre os sintomas e a valorização do diagnóstico precoce são consideradas medidas essenciais para reduzir o impacto da doença e aumentar as chances de sobrevivência.
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