Saúde • 09:40h • 12 de setembro de 2026
TOD não é falta de educação: sinais ajudam famílias a identificar quando procurar ajuda
Transtorno Opositor Desafiador envolve um padrão persistente de irritabilidade e comportamentos desafiadores; acompanhamento profissional e participação da família são fundamentais
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da LC Comunicação | Foto: Arquivo/Âncora1
Desafiar adultos, recusar tarefas e demonstrar irritação fazem parte do comportamento infantil em diferentes momentos, mas quando essas reações são frequentes, intensas e provocam prejuízos à rotina, podem exigir avaliação profissional. Entre as condições associadas a esse padrão está o Transtorno Opositor Desafiador (TOD).
Segundo a educadora parental Cíntia Matos, que também é mãe de uma criança com TOD, interpretar esses comportamentos apenas como falta de educação ou disciplina pode dificultar a identificação do problema. O transtorno é caracterizado por um padrão persistente de humor raivoso e irritável associado a comportamentos desafiadores, principalmente diante de figuras de autoridade.
Na rotina familiar, situações comuns, como tomar banho, fazer a lição de casa ou se preparar para sair, podem se transformar em conflitos recorrentes. Os sinais costumam aparecer entre os 5 e 8 anos e, segundo Matos, um dos alertas é perceber reações desproporcionais quando comparadas às de outras crianças da mesma idade e contexto.
TOD não é o mesmo que uma birra
O que diferencia o transtorno de comportamentos ocasionais é principalmente a frequência, intensidade e impacto das manifestações na vida da criança, da família e também no ambiente escolar.
A avaliação deve ser realizada por profissionais especializados. Matos destaca que relatos da família, da escola e dos profissionais que acompanham a criança contribuem para a compreensão do comportamento e para o diagnóstico.
A psicoterapia tem papel importante ao ajudar a criança a reconhecer emoções e desenvolver estratégias para lidar com elas. O acompanhamento, porém, pode envolver diferentes profissionais conforme as necessidades identificadas.
Cíntia Matos | Lucas vai à terapia
Família participa diretamente do tratamento
Para Cíntia, o manejo parental é parte essencial desse processo, já que grande parte das situações enfrentadas pela criança acontece dentro de casa.
A orientação é substituir confrontos constantes por estratégias que combinem diálogo, conexão, escuta e limites consistentes. Isso não significa permitir todos os comportamentos, mas estabelecer regras e consequências de maneira adequada à realidade da criança.
Em alguns casos, também pode haver indicação médica de medicamentos para sintomas associados, como irritabilidade. A decisão depende da avaliação individual e deve ser conduzida pelos profissionais responsáveis pelo acompanhamento.
“Crianças com TOD precisam de adultos preparados para guiá-las, não para enfrentá-las”, afirma Cíntia.
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