Responsabilidade Social • 17:45h • 13 de agosto de 2026
Temperatura do mar quebra recorde enquanto calor e seca avançam em diferentes regiões
Média da superfície dos mares fora das regiões polares chegou a 20,96ºC, enquanto julho terminou como o segundo mais quente já registrado globalmente
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da EBC | Foto: Divulgação
A temperatura média da superfície dos oceanos atingiu um novo recorde global em julho de 2026, segundo dados divulgados pelo Serviço de Alterações Climáticas do Copernicus (C3S), observatório climático da União Europeia. Nos mares extrapolares, fora das calotas e regiões polares extremas, a média chegou a 20,96ºC, superando os 20,89ºC registrados em 2023.
O comportamento dos oceanos chama atenção porque ocorreu em um mês que também ficou entre os mais quentes da série histórica para a temperatura do ar. Globalmente, julho registrou média de 16,90ºC, tornando-se o segundo julho mais quente já observado, no mesmo nível de 2025 e atrás apenas do recorde de 2023.
A temperatura global do mês ficou ainda 1,47ºC acima da média do período pré-industrial de 1850 a 1900, utilizado como referência para acompanhar o avanço do aquecimento do planeta.
Pacífico e El Niño ajudam a elevar temperatura dos mares
Entre os fatores associados ao recorde estão as temperaturas excepcionalmente elevadas registradas em grande parte do Pacífico tropical, região onde estão presentes condições relacionadas ao fenômeno El Niño. As previsões indicam que essas condições poderão se fortalecer nos próximos meses.
Na Europa, o cenário também foi marcado por temperaturas elevadas no Atlântico e no Mediterrâneo ocidental, associadas a intensas ondas de calor marinhas. Além dos próprios oceanos, os efeitos alcançam ecossistemas e comunidades que vivem nas regiões costeiras.
O oeste europeu atravessou o período de junho e julho mais quente já registrado, com temperatura média de 21,62ºC, superando o recorde de 2022 e ficando 2,79ºC acima da média.
Calor e seca se reforçam na Europa
O avanço das temperaturas ocorreu simultaneamente a um cenário de pouca chuva. França, Espanha, parte da Alemanha e Reino Unido registraram precipitações e umidade do solo excepcionalmente baixas para o período.
O Copernicus também identificou volumes de água muito abaixo da média em rios de regiões atingidas pela seca. O quadro provocou impactos no abastecimento, na irrigação e na geração de energia, com reflexos em importantes cursos d'água europeus, como Sena, Reno e Danúbio.
Segundo Samantha Burgess, do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a Médio Prazo, sistemas persistentes de alta pressão concentraram o calor sobre a Europa ocidental, enquanto as temperaturas extremas agravaram a seca. Conforme os solos perdem umidade, também diminui sua capacidade natural de amenizar o calor.
Para Burgess, o cenário demonstra como as alterações climáticas podem intensificar extremos, criando condições nas quais calor e seca passam a se reforçar mutuamente.
Incêndios também avançaram durante período de calor
As condições meteorológicas tiveram reflexos ainda sobre os incêndios florestais. O Serviço de Monitorização da Atmosfera do Copernicus registrou atividade excepcional no oeste europeu em julho, tanto pela extensão das áreas queimadas quanto pelas emissões provocadas pelo fogo.
De acordo com Laurence Rouil, diretora do serviço, condições relacionadas às mudanças climáticas favorecem incêndios maiores e mais intensos no sul da Europa e ampliam o período de risco em direção ao norte do continente.
Incêndios de grandes proporções também lançam maior quantidade de fumaça em altitudes elevadas. Com isso, as partículas podem percorrer milhares de quilômetros e afetar a qualidade do ar mesmo em países que registraram poucos focos de incêndio.
Oceanos entram no centro do acompanhamento climático
O recorde de 20,96ºC na temperatura média da superfície dos mares extrapolares acrescenta mais um indicador ao cenário climático observado em 2026. Além das temperaturas oceânicas, o boletim de julho reúne sinais simultâneos de calor atmosférico, seca, redução do nível de rios, ondas de calor marinhas e incêndios florestais.
A evolução das condições no Pacífico tropical também passa a ser um dos pontos de atenção para os próximos meses, diante da previsão de fortalecimento das condições associadas ao El Niño e de seus possíveis reflexos sobre os padrões meteorológicos em diferentes partes do planeta.
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