Ciência e Tecnologia • 18:23h • 15 de setembro de 2026
Tecnologia inspirada no cérebro pode levar inteligência até aos curativos
Tecnologia estudada por pesquisadores brasileiros reúne processamento e armazenamento no mesmo componente e pode ser usada em sensores médicos e sistemas inteligentes
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Revista Pesquisa Fapesp | Foto: Divulgação
Pesquisadores de universidades e centros científicos brasileiros desenvolvem memristores, componentes eletrônicos capazes de conservar informações sobre os sinais recebidos mesmo depois de desligados. Os estudos buscam criar sistemas de inteligência artificial, sensores e dispositivos médicos menores e com menor consumo de energia.
Previsto em 1971 pelo engenheiro eletricista Leon Chua, o memristor teve seu primeiro protótipo construído pela Hewlett-Packard em 2008. O componente altera sua resistência elétrica conforme os pulsos recebidos e mantém esse estado registrado, comportamento que lembra, com limitações, a capacidade das conexões cerebrais de se fortalecer ou enfraquecer durante o aprendizado.
Nos computadores convencionais, o processamento e o armazenamento ocorrem em partes separadas, o que exige uma movimentação constante de dados. Os memristores podem reunir as duas funções no mesmo componente. A proposta se inspira na eficiência do cérebro humano, que consome cerca de 20 watts enquanto executa tarefas complexas.
Pesquisas brasileiras avançam em diferentes aplicações
Na Universidade Federal de São Carlos, pesquisadores trabalham com dispositivos capazes de assumir funções de transistor, capacitor ou memristor. Também são estudados componentes de óxido de zinco acionados por eletricidade ou luz, com resultados que indicam funcionamento em temperatura ambiente e melhora de desempenho sob determinadas condições de aquecimento.
Na Unesp de Rio Claro, uma pesquisa utiliza melanina, material orgânico e biodegradável, para desenvolver um sensor integrado a curativos. A tecnologia poderá acompanhar mudanças no pH de feridas e auxiliar no monitoramento de lesões crônicas, como as que atingem pacientes com diabetes.
No Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, em Campinas, materiais formados por camadas com poucos átomos de espessura são investigados para aplicações em armazenamento de imagens, criptografia, redes 6G e biossensores. Os principais desafios ainda são produzir esses componentes em escala industrial e integrá-los a sistemas eletrônicos complexos.
Leia a reportagem completa na Revista Pesquisa FAPESP.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Educação
Quem são os alunos de Assis, Cândido Mota e Florínea que conquistaram intercâmbio internacional: veja a lista
Jovens de oito municípios estudarão no Canadá, na Irlanda e na Nova Zelândia pelo Prontos pro Mundo e devem entregar documentos até 21 de setembro