Ciência e Tecnologia • 14:11h • 26 de agosto de 2026
Tecnologia brasileira automatiza testes de HPV e pode processar até 960 amostras por turno
Equipamento reúne diferentes etapas do diagnóstico molecular em um único sistema e chega em meio à ampliação do rastreamento do câncer do colo do útero no Brasil
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Lumiere | Foto: Divulgação
Com a ampliação do teste molecular para HPV como estratégia de rastreamento do câncer do colo do útero, os laboratórios brasileiros precisam estar preparados para processar um volume maior de exames. Uma nova tecnologia desenvolvida no país busca atender justamente a essa demanda: a Amplio Station 9600, plataforma automatizada capaz de analisar aproximadamente 960 amostras por turno.
Desenvolvido pela empresa brasileira Loccus, o equipamento processa até 192 amostras por ciclo e concentra diferentes etapas do diagnóstico, desde o processamento da amostra até a leitura do resultado e o descarte do material utilizado. A tecnologia será apresentada em setembro, durante o 58º Congresso Brasileiro de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial, em Florianópolis (SC).
A proposta é reduzir intervenções manuais e permitir que um único equipamento execute tarefas que normalmente dependem de diferentes sistemas. O processo inclui transferência de líquidos, extração de ácidos nucleicos, preparação das reações de PCR, selagem das placas, amplificação em tempo real e leitura dos resultados.
HPV está ligado ao câncer do colo do útero
O HPV é a infecção sexualmente transmissível mais comum no mundo. Segundo dados do Ministério da Saúde apresentados pela empresa, cerca de 10 milhões de pessoas convivem com o vírus no Brasil, com aproximadamente 700 mil novos casos registrados anualmente.
A infecção persistente por tipos de HPV de alto risco é a principal causa do câncer do colo do útero. Com a expansão do rastreamento molecular, um dos desafios é aumentar a capacidade dos laboratórios sem comprometer a segurança e a padronização dos exames.

Segundo Eduardo Araújo, CEO da Loccus, a plataforma foi projetada justamente para reduzir etapas manuais e aumentar a capacidade de processamento dos laboratórios diante dessa nova demanda.
Um equipamento concentra diferentes etapas
Outro diferencial apresentado pela empresa é a redução do espaço necessário para realizar os testes. Enquanto o fluxo convencional de PCR em Tempo Real pode exigir ambientes distintos para processamento, extração e amplificação, a nova plataforma concentra as etapas em um equipamento instalado em uma única sala.
O sistema também utiliza abertura e fechamento automáticos dos tubos, esterilização por luz ultravioleta, filtragem HEPA, extração por esferas magnéticas e dois módulos independentes de PCR em Tempo Real. Após o carregamento das amostras, o restante do processo ocorre de forma automatizada.
Embora o lançamento esteja inicialmente direcionado ao rastreamento do HPV, a plataforma foi desenvolvida para receber outros ensaios e aplicações de diagnóstico molecular futuramente.
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