Saúde • 18:29h • 23 de março de 2026
Tabu sobre educação sexual reduz vacinação contra HPV entre adolescentes, alerta especialista
Desinformação familiar e mitos sobre comportamento sexual ainda dificultam adesão à vacina, essencial para prevenir câncer do colo do útero
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da SemFronteiras Assessoria | Foto: Divulgação
A baixa adesão de adolescentes à vacina contra o HPV, mesmo com ampla disponibilidade no Brasil, tem relação direta com tabus ligados à educação sexual e à desinformação familiar. O alerta ganha força durante a campanha Março Lilás, voltada à prevenção do câncer do colo do útero, doença que registra cerca de 17.010 novos casos por ano no país, segundo o Instituto Nacional de Câncer, com taxa de 15,38 casos a cada 100 mil mulheres.
A infecção persistente pelo papilomavírus humano é a principal causa desse tipo de câncer. A vacinação precoce, aliada ao diagnóstico antecipado, é considerada uma das estratégias mais eficazes para reduzir os índices da doença. Dados da Organização Pan-Americana de Saúde indicam que a imunização pode prevenir cerca de 70% dos casos. A Organização Mundial da Saúde estabeleceu como meta vacinar 90% das meninas de até 15 anos até 2030.
Apesar disso, a resistência de parte das famílias ainda representa um dos principais obstáculos. Um dos mitos mais recorrentes é o de que a vacina poderia estimular o início precoce da vida sexual entre adolescentes.
A ginecologista Vânia Marcella Calixtrato explica que essa associação não tem respaldo científico. Segundo ela, o imunizante foi desenvolvido justamente para proteger antes do contato com o vírus, o que torna a adolescência o período mais adequado para a aplicação. A médica reforça que a vacina não interfere no comportamento sexual.
O HPV é transmitido principalmente por contato sexual e pode provocar lesões que, se não tratadas, evoluem para câncer. Em muitos casos, a infecção é silenciosa, o que reforça a importância da prevenção.
Outro ponto que gera dúvida entre responsáveis é a segurança da vacina. De acordo com a especialista, eventos adversos graves são extremamente raros, sendo mais comuns reações leves, como dor no local da aplicação ou febre baixa.
A campanha Março Lilás surge como uma oportunidade para ampliar o debate e enfrentar a barreira cultural que ainda cerca o tema. A falta de diálogo aberto sobre saúde sexual, especialmente dentro das famílias, contribui para a desinformação e, consequentemente, para a baixa cobertura vacinal.
Além da imunização em adolescentes, a vacina também pode ser aplicada em mulheres de até 45 anos, inclusive aquelas que já tiveram contato com o vírus, já que oferece proteção contra outros tipos associados ao câncer e a verrugas genitais.
A especialista destaca que a educação sexual baseada em informação científica é um dos caminhos mais eficazes para mudar esse cenário. Nesse contexto, as escolas têm papel estratégico na disseminação de conhecimento e no incentivo à vacinação, por meio de parcerias com unidades de saúde.
O avanço da doença ainda preocupa. Em Goiás, por exemplo, foram registrados 981 casos em 2024 e 622 notificações em 2025, número ainda preliminar. O cenário reforça a necessidade de ampliar o acesso à informação e combater mitos que colocam em risco a saúde de futuras gerações.
A ampliação da cobertura vacinal depende não apenas da oferta do imunizante, mas também da superação de barreiras culturais, com diálogo claro, educação e campanhas contínuas voltadas à população.
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