Saúde • 11:33h • 17 de março de 2026
SUS adota inovação brasileira que usa pele dos pés para avaliar saúde de prematuros
Desenvolvido pela UFMG com recursos do Governo Federal, equipamento estima idade gestacional e maturidade pulmonar do recém-nascido e é acessível a comunidades remotas
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Gov | Foto: Arquivo Âncora1
Os primeiros momentos de vida de bebês prematuros passarão a contar com uma nova tecnologia desenvolvida por pesquisadores brasileiros para apoiar o diagnóstico e o cuidado neonatal, especialmente em regiões remotas e de difícil acesso. O Ministério da Saúde decidiu incorporar ao Sistema Único de Saúde (SUS) um leitor óptico capaz de avaliar a idade gestacional e a maturidade pulmonar de recém-nascidos a partir da análise da pele.
A incorporação foi validada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e oficializada por meio de portaria publicada pelo Ministério da Saúde. A pasta terá até 180 dias para iniciar a distribuição dos primeiros dispositivos para a rede de atendimento. O equipamento não substitui o acompanhamento médico nem o pré-natal, mas funciona como ferramenta de apoio para profissionais de saúde.
O dispositivo, chamado PreemieTest, foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ele é utilizado logo após o nascimento e funciona com uma pequena sonda colocada no pé do bebê, capaz de analisar as propriedades da pele neonatal. Em poucos segundos, o exame — que não provoca dor nem utiliza radiação — fornece informações importantes para orientar decisões clínicas, como a necessidade de suporte respiratório, internação em terapia neonatal ou encaminhamento imediato para um hospital com maior capacidade de atendimento.
Dados do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc) mostram que, entre 2024 e 2025, foram registrados mais de 487 mil nascimentos prematuros no Brasil, o equivalente a 12,3% do total de nascidos vivos no período.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o investimento em tecnologias nacionais fortalece a capacidade científica do país e amplia o acesso a cuidados de saúde desde o nascimento. Ele ressalta que o equipamento é uma ferramenta complementar, enquanto a realização adequada do pré-natal continua sendo fundamental para garantir uma gestação segura e prevenir o parto prematuro.
O exame também ajuda a antecipar os cuidados necessários para o recém-nascido, especialmente em situações em que não foi realizado ultrassom no início da gravidez ou quando a data da última menstruação da gestante é desconhecida ou pouco confiável — casos mais comuns em áreas isoladas.
A triagem rápida é considerada essencial em locais com acesso limitado a serviços de saúde, onde podem ocorrer partos fora do ambiente hospitalar, incluindo nascimentos em casa acompanhados por parteiras. Nessas situações, a tecnologia pode auxiliar equipes de saúde a tomar decisões rápidas e seguras sobre o encaminhamento do bebê.
Além de estimar a idade gestacional, o PreemieTest também indica com maior precisão a necessidade de internação em UTI neonatal, uso de ventilação assistida e o risco de desenvolvimento da síndrome do desconforto respiratório. Essas informações são importantes para orientar intervenções precoces, que podem ser decisivas para a sobrevivência do recém-nascido e para reduzir complicações.
O desenvolvimento do dispositivo contou com investimento do Ministério da Saúde por meio do Programa de Desenvolvimento do Complexo Industrial da Saúde (Procis), iniciativa voltada a transformar pesquisas científicas em soluções práticas para as necessidades do SUS.
Antes de ser incorporado ao sistema público, o leitor óptico foi testado em diferentes regiões do país, inclusive em territórios indígenas da Amazônia, em estudos realizados em parceria com a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai). A experiência em Distritos Sanitários Especiais Indígenas demonstrou a viabilidade do uso do equipamento, além da boa aceitação pelas equipes de saúde.
Atualmente, no SUS, a principal forma de estimar a idade gestacional durante a gravidez é o ultrassom realizado no primeiro trimestre. Quando há risco de parto prematuro, são utilizados corticoides para acelerar o amadurecimento dos pulmões do bebê. Após o nascimento, o cuidado com recém-nascidos prematuros inclui avaliação clínica, uso de medicamentos, suporte respiratório e internação em UTI neonatal quando necessário.
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