Mundo • 11:11h • 20 de maio de 2026
Surto de Ebola no Congo já soma dezenas de mortes e mobiliza resposta emergencial dos MSF
Organização amplia atuação na província de Ituri após avanço de casos suspeitos e confirmação de transmissão para Uganda
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações do MSF | Foto: Arquivo/Âncora1
O novo surto de Ebola na República Democrática do Congo levou a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) a preparar uma operação emergencial na província de Ituri, no nordeste do país. A declaração oficial do surto foi feita pelo Ministério da Saúde congolês em 15 de maio, após o registro de dezenas de mortes e centenas de casos suspeitos em diferentes zonas de saúde da região.
Segundo as autoridades locais, já foram contabilizados 246 casos suspeitos e mais de 80 mortes nas áreas de Mongwalu, Bunia e Rwampara. A doença é causada pela cepa Ebola Bundibugyo, considerada mais rara e que, atualmente, não possui vacina nem tratamento aprovado.
Os primeiros alertas surgiram entre os dias 9 e 10 de maio, quando equipes de MSF receberam informações sobre um aumento de mortes associadas a uma possível febre hemorrágica viral em Mongwalu, área localizada a noroeste de Bunia, capital da província de Ituri.
Após avaliação conjunta com o Ministério da Saúde da República Democrática do Congo, foi constatado que 55 pessoas haviam morrido desde o início de abril apenas nessa região.
A situação ganhou ainda mais preocupação após a confirmação de um caso em Uganda, país vizinho. Em 15 de maio, autoridades ugandesas confirmaram a morte de um homem congolês de 59 anos infectado pelo vírus Ebola Bundibugyo. O paciente morreu no dia 14 de maio. Diante do avanço da doença, MSF informou que está preparada para apoiar também as equipes de saúde pública em Uganda.
“O número de casos e mortes que estamos vendo em um período tão curto, combinado com a disseminação por várias zonas de saúde e agora além da fronteira, é extremamente preocupante”, afirmou Trish Newport, coordenadora de emergências de MSF.
Segundo a organização, equipes médicas já atuam nas áreas afetadas para avaliar necessidades emergenciais e ampliar medidas de contenção. Na clínica mantida por MSF em Salama, em Bunia, três casos suspeitos já foram isolados.
A entidade também informou que está mobilizando profissionais especializados em surtos de febre hemorrágica viral, além de reforçar o envio de suprimentos médicos e equipamentos de proteção. Outro foco da operação será o fortalecimento das medidas preventivas nas unidades de saúde para reduzir riscos de transmissão entre pacientes e profissionais.
O Ebola é uma febre hemorrágica viral altamente infecciosa, transmitida inicialmente por contato direto com sangue, órgãos ou fluidos corporais de animais infectados. Entre humanos, a transmissão ocorre principalmente pelo contato próximo com fluidos corporais de pessoas contaminadas.
A cepa Bundibugyo apresenta taxa de letalidade estimada entre 25% e 40%. Este é o terceiro surto associado a essa variante do vírus. Os anteriores ocorreram em Uganda, entre 2007 e 2008, e na própria República Democrática do Congo, em 2012. Este também é o 17º surto de Ebola registrado no país africano desde a identificação dos primeiros casos da doença, em 1976.
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