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Ciência e Tecnologia • 13:29h • 07 de junho de 2026

Super El Niño impulsiona uso de inteligência artificial para evitar quedas de energia durante temporais

Com previsão de um fenômeno climático intenso, empresas do setor elétrico investem em tecnologias capazes de identificar riscos na rede antes que eles provoquem interrupções no fornecimento

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Sing Comunicação | Foto: Divulgação

Sistema com IA identifica riscos na vegetação para reduzir interrupções no fornecimento de energia
Sistema com IA identifica riscos na vegetação para reduzir interrupções no fornecimento de energia

A possibilidade de desenvolvimento de um Super El Niño nos próximos meses tem colocado o setor elétrico em estado de atenção. Segundo projeções citadas pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e pela agência climática norte-americana NOAA, há mais de 80% de probabilidade de formação do fenômeno, que pode intensificar eventos climáticos extremos e aumentar os riscos de danos à infraestrutura elétrica. Diante desse cenário, empresas vêm ampliando o uso de inteligência artificial para monitorar a rede e antecipar problemas que podem resultar em interrupções no fornecimento de energia.

O Super El Niño é uma versão mais intensa do El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa alteração influencia a circulação atmosférica e pode provocar mudanças significativas nos padrões de chuva, temperatura e ventos em diferentes regiões do planeta. Para distribuidoras de energia, isso significa um aumento potencial de ocorrências relacionadas a temporais, quedas de árvores e danos à rede de distribuição.

Vegetação segue entre as principais ameaças à rede elétrica

Embora as estruturas elétricas sejam projetadas para suportar condições climáticas adversas, a vegetação próxima à fiação continua sendo uma das causas mais frequentes de interrupções no abastecimento. Em períodos de ventos fortes e tempestades, galhos e árvores podem atingir os cabos, provocando desligamentos e afetando milhares de consumidores.

A dimensão do problema pode ser observada nos registros da Defesa Civil Municipal de São Paulo. Dados do GeoSampa apontam que somente em 2025 foram contabilizadas 5.030 ocorrências envolvendo quedas de árvores, situação que frequentemente está associada a falhas no fornecimento de energia.

Além dos transtornos cotidianos, interrupções prolongadas podem impactar serviços essenciais, atividades econômicas e até situações relacionadas à saúde e à segurança da população, especialmente em eventos climáticos mais severos.

Inteligência artificial ajuda a identificar riscos antes dos temporais

Com o objetivo de reduzir esses impactos, a scale-up brasileira Fu2re desenvolveu o SmartAssets, uma solução baseada em inteligência artificial e visão computacional voltada ao monitoramento da rede elétrica. A tecnologia foi criada para identificar situações de risco envolvendo vegetação próxima aos cabos de energia e fornecer informações que permitam ações preventivas antes da ocorrência de falhas.

O sistema utiliza imagens de alta resolução captadas por veículos equipados com sensores para identificar troncos, copas de árvores e massas vegetais localizadas próximas à rede elétrica. A partir dessas informações, a plataforma calcula a distância entre a vegetação e os cabos e classifica os pontos de atenção conforme o nível de risco, que pode ser moderado, alto ou crítico.

Segundo André Sih, founder e managing partner da Fu2re, a proposta é transformar grandes volumes de imagens em informações úteis para as equipes responsáveis pela manutenção da rede. "A tecnologia utiliza a captura de imagens de alta resolução por meio de veículos equipados com sensores e modelos de inteligência artificial capazes de identificar objetos para reconhecer padrões e aplicar labels automaticamente para análise técnica. O processo de captura e análise permite a validação e auditoria dos resultados garantindo maior qualidade e confiabilidade dos dados", afirma.

A expectativa é que ferramentas desse tipo ganhem espaço à medida que eventos climáticos extremos se tornem mais frequentes. Além de permitir respostas mais rápidas, a utilização de inteligência artificial busca aumentar a eficiência das operações de manutenção e reduzir o risco de interrupções causadas por fatores que podem ser identificados com antecedência.

A solução da Fu2re já passou por testes junto a distribuidoras de energia brasileiras e foi desenvolvida para integração com sistemas GIS, amplamente utilizados pelas concessionárias. Com isso, as equipes técnicas conseguem incorporar as informações geradas pela plataforma aos processos já existentes, ampliando a capacidade de monitoramento da rede diante de cenários climáticos cada vez mais desafiadores.

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