Responsabilidade Social • 18:38h • 27 de outubro de 2026
Sonho de virar jogador de futebol termina em resgate de 12 adolescentes por trabalho infantil
Jovens de 14 a 17 anos, incluindo paraguaios, viviam em alojamento inadequado, enfrentavam treinamentos intensivos e tinham a educação escolar comprometida
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações do MTE | Foto: Divulgação
Uma operação conjunta coordenada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) afastou 12 adolescentes, com idades entre 14 e 17 anos, de uma situação caracterizada como trabalho infantil em um centro de formação de jogadores de futebol no município de Portão, no Rio Grande do Sul. Segundo a fiscalização, os jovens eram submetidos a uma rotina intensa de treinamentos esportivos, viviam em alojamento inadequado e, em alguns casos, estavam afastados das atividades escolares.
Os adolescentes eram provenientes de diferentes municípios gaúchos, além dos estados do Paraná e do Rio de Janeiro e do Paraguai. Conforme os auditores fiscais, eles permaneciam alojados no centro de treinamento e participavam de atividades voltadas ao alto rendimento, sendo avaliados constantemente por empresários e agentes de futebol interessados na profissionalização dos atletas.
A fiscalização constatou que a instituição não possuía a estrutura e a documentação exigidas pela legislação brasileira para atuar na formação esportiva de adolescentes. Os jovens não tinham contratos de formação esportiva nem contratos especiais de trabalho esportivo, e o estabelecimento não atendia aos requisitos previstos na Lei Geral do Esporte.
Adolescentes paraguaios recebiam fotos de cadernos no lugar de aulas
A situação escolar dos adolescentes também chamou a atenção dos fiscais. Alguns jovens vindos de outros estados permaneceram fora da escola por determinado período, enquanto os paraguaios não frequentavam aulas regulares com professores.
Segundo o MTE, os adolescentes estrangeiros recebiam fotografias dos cadernos de colegas para copiar os conteúdos, sem acompanhamento docente. A prática levantou questionamentos sobre o aproveitamento escolar e o cumprimento das exigências educacionais.
Diante das irregularidades, os auditores entregaram aos responsáveis pelo centro um Termo de Afastamento do Trabalho, determinando a interrupção imediata das atividades consideradas irregulares e o retorno dos 12 adolescentes ao convívio familiar em suas localidades de origem.
A operação contou com a participação do Ministério Público do Trabalho (MPT), Polícia Federal, Ministério Público do Rio Grande do Sul, Conselho Tutelar e Secretaria Municipal de Assistência Social de Portão.
Como denunciar situações de trabalho infantil
O Ministério do Trabalho e Emprego mantém ações de fiscalização para identificar situações de exploração de crianças e adolescentes, inclusive em atividades que possam ser apresentadas como oportunidades de formação profissional.
Denúncias de trabalho infantil podem ser registradas pelo Sistema Ipê Trabalho Infantil, canal oficial destinado ao recebimento de informações sobre possíveis violações dos direitos de crianças e adolescentes.
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