Saúde • 09:09h • 01 de setembro de 2026
Setembro Verde: 80 mil brasileiros esperam por transplante e recusa das famílias ainda chega a 45%
Mês de conscientização sobre a doação de órgãos começa com um desafio que vai além da medicina: conversar com a família sobre o desejo de ser doador
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Divulgação
Cerca de 80 mil pessoas aguardam por um transplante no Brasil, enquanto mais de 31 mil procedimentos foram realizados em 2025. Com a chegada do Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre a doação de órgãos e tecidos, um número ajuda a dimensionar uma das principais barreiras enfrentadas pelo país: aproximadamente 45% das famílias recusam a doação.
A decisão familiar é determinante. Mesmo que uma pessoa tenha manifestado em vida o desejo de doar seus órgãos, são os familiares que autorizam o procedimento após o falecimento. Por isso, para o cirurgião do aparelho digestivo Lucas Nacif, membro da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), falar sobre essa escolha antecipadamente é uma das formas de fortalecer a cultura da doação.
“A doação de órgãos é um ato de solidariedade que pode transformar vidas. Para que essa cultura se fortaleça, é fundamental que cada pessoa converse com sua família sobre a decisão de se tornar doador”, afirma.
Fila não funciona apenas por ordem de chegada
Entre os mitos que ainda cercam os transplantes está a ideia de que existem privilégios na fila. Segundo Nacif, o Sistema Nacional de Transplantes mantém uma lista única para pacientes atendidos tanto em hospitais públicos quanto privados.
Também não basta observar quem está esperando há mais tempo. A definição considera fatores como gravidade do paciente, compatibilidade e distância entre doador e receptor. Esse último ponto é especialmente importante para órgãos com pouco tempo de viabilidade fora do corpo, como o coração.
Outro equívoco é considerar idade avançada ou histórico de tabagismo, uso de drogas e consumo excessivo de álcool como impedimentos automáticos. Esses fatores podem limitar a possibilidade de doação, mas a decisão depende da avaliação realizada pela equipe médica especializada.
Um doador pode beneficiar até 10 pessoas
Após a morte encefálica, podem ser doados órgãos e tecidos como coração, fígado, rins, pâncreas, pulmões, intestino e córneas. Segundo o especialista, um único doador pode beneficiar até dez pessoas.
Também existe a possibilidade de doação em vida, desde que sejam atendidos os critérios médicos de segurança. Tanto nesses casos quanto nas doações após morte encefálica, os potenciais doadores passam por avaliação criteriosa das equipes responsáveis.
Em um país com dezenas de milhares de pessoas aguardando por um transplante, o Setembro Verde reforça uma orientação simples: quem deseja ser doador precisa conversar sobre essa decisão com a própria família.
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