Responsabilidade Social • 14:11h • 04 de agosto de 2026
Sete dos dez agrotóxicos mais vendidos no Brasil são proibidos na UE
Pesquisadora aponta que país sofre “colonialismo químico”
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
O uso de agrotóxicos proibidos na União Europeia, mas exportados para países como o Brasil, foi tema de debate durante a 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói (RJ). A geógrafa Larissa Mies Bombardi, pesquisadora do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD), da França, classificou essa prática como um exemplo de "colonialismo químico".
Segundo a pesquisadora, dos dez agrotóxicos mais comercializados no Brasil em 2023, sete são proibidos na União Europeia devido aos riscos que oferecem à saúde humana e ao meio ambiente. Entre eles estão mancozebe, 2,4-D, acefato, clorotalonil, atrazina, S-metolacloro e dibrometo de diquate.
Larissa Bombardi explica que essas substâncias foram proibidas em países europeus por estarem associadas a efeitos como câncer, malformações fetais, alterações hormonais e impactos ambientais significativos. Ainda assim, empresas sediadas na Europa continuam exportando esses produtos para outros países, incluindo o Brasil.
A pesquisadora afirmou que o Brasil foi o principal destino de pesticidas proibidos na União Europeia em 2023, recebendo cerca de 3 mil toneladas desses produtos, volume superior ao destinado, somado, para Ucrânia, Estados Unidos e Rússia.
Impactos ambientais e regulamentação
Durante a conferência, Larissa Bombardi destacou que o uso de agrotóxicos também está relacionado à perda de biodiversidade. Ela citou dados do Atlas dos Pesticidas 2022, segundo os quais houve redução de 41% na população mundial de insetos entre 2009 e 2019. No caso das borboletas, a queda chegou a 53%.
Outro exemplo mencionado foi a atrazina, herbicida amplamente utilizado no Brasil, que, segundo estudos, pode provocar alterações hormonais em anfíbios e comprometer a reprodução dessas espécies.
A pesquisadora também chamou atenção para a concentração do mercado global de sementes e agrotóxicos nas mãos de quatro grandes empresas — Basf, Bayer, Corteva e Sinochem — que controlam mais da metade do mercado de sementes e cerca de 62% do mercado de agrotóxicos.
No Brasil, o uso desses produtos é regulamentado pela Lei nº 14.785/2023. O registro dos defensivos agrícolas é concedido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, com avaliações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre os riscos à saúde e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) quanto aos impactos ambientais.
A Anvisa informou que cada país possui regras próprias para autorizar ou restringir agrotóxicos. A agência ressaltou que produtos registrados no Brasil podem passar por reavaliações sempre que surgirem novas evidências de riscos à saúde ou ao meio ambiente, podendo resultar em restrições de uso ou no banimento da substância.
Desde 2006, a Anvisa concluiu 20 reavaliações toxicológicas, que resultaram na proibição de 13 ingredientes ativos e na imposição de restrições para outros produtos que permaneceram autorizados no país.
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