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Variedades • 13:36h • 06 de junho de 2026

Serra no Médio Rio Doce abriga pelo menos 33 espécies únicas da Mata Atlântica

Início da descoberta começou por acaso, quando um doutorando observava fotos de plantas da região pela internet. A descoberta do agora pesquisador do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA) revelou a maior planta carnívora das Américas

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações do Ministério da Ciência | Foto: Divulgação/INMA

O documento foi elaborado por pesquisadores de diferentes instituições brasileiras, sob a liderança do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA), unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
O documento foi elaborado por pesquisadores de diferentes instituições brasileiras, sob a liderança do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA), unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

Há 11 anos, a Serra do Padre Ângelo, localizada entre os municípios de Conselheiro Pena e Alvarenga, no leste de Minas Gerais, começou a revelar um patrimônio natural raro e pouco conhecido pela ciência. Desde então, pesquisadores já identificaram ao menos 33 espécies inéditas de plantas, insetos e peixes na região. A riqueza da biodiversidade local é tema de um artigo publicado no Boletim do Museu de Biologia Mello Leitão — Série INMA, elaborado por cientistas de diversas instituições brasileiras, com coordenação do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

A descoberta ocorreu de forma inesperada. O pesquisador Paulo Gonella, então doutorando, encontrou nas redes sociais a imagem de uma planta carnívora diferente de todas as que conhecia enquanto desenvolvia um estudo sobre espécies brasileiras do grupo. A planta era a Drosera magnifica, considerada posteriormente a maior planta carnívora das Américas.

Intrigado, o pesquisador entrou em contato com o autor da fotografia e organizou uma expedição até a serra, próxima à divisa entre Minas Gerais e Espírito Santo. Durante a viagem, além da nova espécie de planta carnívora, outras amostras coletadas também se mostraram inéditas para a ciência.

Entre 2020 e 2025, novas expedições documentaram ecossistemas raros associados aos campos rupestres sobre quartzito, além de espécies altamente especializadas que vivem em topos de montanhas, cavernas, áreas úmidas e paredões rochosos.


Foto: Divulgação/INMA

A região abriga ainda espécies ameaçadas de extinção, como a maior canela-de-ema do mundo, a Vellozia gigantea, e a população de araucárias situada mais ao norte do Brasil.

Apesar da importância ambiental, os pesquisadores alertam que a Serra do Padre Ângelo enfrenta diversas ameaças, como incêndios, avanço de gramíneas invasoras, pecuária, desmatamento e turismo sem controle adequado.

O estudo também destaca a relevância da serra para a preservação dos recursos hídricos do Médio Rio Doce. A área funciona como uma importante zona de recarga de água e abriga nascentes que abastecem cidades da região, além de atuar como refúgio climático em meio aos impactos da degradação ambiental e dos eventos extremos.

Diante da importância ecológica da área, os pesquisadores defendem a criação de uma unidade de conservação para proteger os ecossistemas, as nascentes e as espécies ameaçadas.

Segundo Paulo Gonella, durante décadas a Serra do Padre Ângelo permaneceu fora do radar científico e das políticas ambientais. Agora, o desafio é garantir a preservação dessa biodiversidade única e do patrimônio natural existente na região.

Além do INMA, participaram do estudo pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco, Universidade Federal de Goiás, Universidade de Brasília, Universidade Federal de São João del-Rei, Universidade Estadual Paulista, Universidade Federal do Amazonas e da Aiuká Consultoria.

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