Política • 18:53h • 05 de janeiro de 2026
Sequestro de Maduro, posse de Delcy Rodríguez e alertas globais marcam 48 horas de tensão internacional
Ataque dos Estados Unidos, captura de Nicolás Maduro, posse de Delcy Rodríguez e alertas da ONU redesenham o equilíbrio geopolítico regional
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Agência Brasil | Foto: Reprodução/Redes Sociais
Os últimos dois dias foram marcados por uma escalada sem precedentes na crise venezuelana, com repercussões diretas nos Estados Unidos, na América Latina e nos fóruns multilaterais. Entre sábado (3) e segunda-feira (5), uma operação militar norte-americana resultou na retirada forçada do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, do território venezuelano, provocou mortes em Caracas, levou à posse de uma presidente interina e reacendeu o debate global sobre soberania, direito internacional e uso da força.
A sequência de eventos levou o Conselho de Segurança das Nações Unidas a convocar uma reunião de emergência. Representando o secretário-geral António Guterres, a subsecretária-geral da ONU para Assuntos Políticos e de Construção da Paz, Rosemary DiCarlo, afirmou que o direito internacional não foi respeitado na ação conduzida pelos Estados Unidos.
ONU aponta violação da Carta e alerta para precedentes
Durante a reunião realizada na segunda-feira (5), DiCarlo declarou estar “profundamente preocupada” com a operação militar de 3 de janeiro, destacando que o uso da força contra a integridade territorial e a independência política de um Estado viola princípios centrais da Carta das Nações Unidas. Segundo ela, a estabilidade internacional depende do compromisso dos países-membros com a soberania, a proibição do uso da força e o império da lei.
A representante da ONU também alertou para os efeitos regionais da crise, citando o risco de intensificação da instabilidade na Venezuela, o impacto sobre países vizinhos e os precedentes abertos nas relações entre Estados. Em sua fala, conclamou as partes venezuelanas a buscarem um diálogo democrático, com respeito aos direitos humanos e à autodeterminação do povo.
Equipe de segurança de Maduro foi morta a sangue frio, diz ministro Vladimir Padrino | Foto: Miraflores Palace
Operação militar e acusações contra Maduro
No sábado (3), explosões foram registradas em diferentes pontos de Caracas durante a operação conduzida por forças norte-americanas. O governo dos Estados Unidos informou que Maduro foi levado a Nova York para responder a acusações relacionadas a uma suposta ligação com o tráfico internacional de drogas. O ex-presidente venezuelano e sua esposa passaram por audiência de custódia em um tribunal federal e permanecem detidos em um presídio no Brooklyn.
O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, afirmou no domingo (4) que integrantes da equipe de segurança presidencial e civis foram mortos “a sangue frio” durante a ação. Em pronunciamento oficial, ele classificou a intervenção como uma agressão direta à soberania venezuelana e exigiu a libertação imediata de Maduro.
Posse de Delcy Rodríguez e reconhecimento interno
Com a ausência de Maduro, o Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela indicou a vice-presidente Delcy Rodríguez para assumir a chefia do Executivo de forma interina por um mandato renovável de 90 dias. A posse ocorreu na segunda-feira (5), perante a Assembleia Nacional, com reconhecimento imediato das Forças Armadas e do Legislativo.
Em seu discurso, Delcy condenou a operação militar norte-americana, classificou Maduro como “o único presidente da Venezuela” e exigiu sua libertação. Ela se tornou a primeira mulher a liderar o Executivo venezuelano na história do país, em um contexto de forte divisão interna e pressão internacional.
ONU critica ação dos EUA e crise venezuelana eleva risco geopolítico na América Latina
Repercussões regionais e ameaça de nova escalada
Ainda na segunda-feira (5), a agência Reuters informou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria ameaçado ampliar ações militares contra a Colômbia, elevando o nível de alerta na região. Analistas apontam que a crise venezuelana passou a representar um risco direto para toda a América Latina.
Especialistas ouvidos por veículos internacionais e pela Agência Brasil afirmam que a intervenção configura violação do direito internacional e cria um ambiente de imprevisibilidade. Para eles, o episódio abre margem para novas ações unilaterais e pressiona países vizinhos a reforçarem suas fronteiras e estratégias de defesa.
Um cenário ainda em aberto
Ao final das últimas 48 horas, o cenário permanece instável. A Venezuela vive uma transição forçada de poder, os Estados Unidos enfrentam críticas formais em organismos multilaterais e a ONU tenta conter os efeitos de uma crise que já ultrapassa as fronteiras nacionais.
A divisão da comunidade internacional, entre condenações à operação e manifestações de apoio à queda de Maduro, indica que o desdobramento do episódio ainda deve produzir novos impactos políticos, diplomáticos e econômicos nos próximos dias.
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