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Variedades • 15:05h • 31 de dezembro de 2025

Sempre contemporânea e brasileira: Pinacoteca de São Paulo completa 120 anos

Marcado por uma trajetória que articula preservação, experimentação artística e diálogo constante com a sociedade, o maior e mais antigo museu paulista foca em dar visibilidade às produções de arte brasileiras sem perder diálogo com o resto do mundo

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações da Alesp | Foto: Fernanda Franco

Fachada Pina Luz
Fachada Pina Luz

Entre o passado e o presente, a Pinacoteca do Estado de São Paulo mantém viva sua proposta originária: ser contemporânea e nacional. Dos prédios ao acervo, o maior e mais antigo museu paulista acompanha a produção de seu tempo há 120 anos e projeta novas formas de compreender a arte e a história brasileira

A Pinacoteca nasceu na véspera do Natal de 1905, na praça da Luz, no edifício que antes fora o Liceu de Artes e Ofícios, com o objetivo de apostar na produção de arte brasileira, impulsionada pelo nacionalismo. O acervo incipiente contava com 26 telas, sendo 20 transferidas do Museu Paulista da Universidade de São Paulo e seis adquiridas de artistas paulistas, como Almeida Júnior.

Arquitetura

A história da instituição também se confunde com a de seus edifícios. A Pinacoteca opera hoje em três prédios: a Pina Luz (desde 1905), a Pina Estação (desde 2004) e a Pina Contemporânea (desde 2023).

A Pina Luz é o edifício histórico, localizado na Praça da Luz, projetado pelo engenheiro-arquiteto Ramos de Azevedo para sediar o Liceu de Artes e Ofícios, que, até 1905, promoveu gratuitamente cursos de artes aplicadas. No entanto, sem o revestimento externo e a cúpula projetada, o prédio nunca foi totalmente concluído.

"Em 1905 o Liceu tinha prometido para o governo do estado que ia terminar a obra até aquele ano para conseguir o financiamento, mas não terminaram e eles disseram que estava. Então o prédio restou inacabado durante todo o século 20", explica o curador do acervo da Pinacoteca, Yuri Quevedo.

A marca da construção inacabada ao longo do século XX, característica que foi preservada na intervenção do arquiteto Paulo Mendes da Rocha, entre 1994 e 1998. A reforma geral do prédio transformou o antigo Liceu em um museu moderno, com as famosas passarelas metálicas e clarabóias.

Para Quevedo, a opção por não "corrigir" o passado, mas dialogar com ele, tornou-se uma metáfora da própria atuação do museu, que olha para a história sem apagá-la, propondo novas perguntas a partir do presente. Em 2000, esse projeto de restauro recebeu o Prêmio Arquitetura Mies van der Rohe para a América Latina.

Já o edifício da Pina Estação ocupa o prédio do antigo Armazém Central da Estrada de Ferro Sorocabana, construído em 1914 também por Ramos de Azevedo e que foi, entre 1942 e 1983, sede do Departamento de Ordem Política e Social (DEOPS). Em 2004 o edifício foi reformado pelo arquiteto Haron Cohen para receber parte das exposições temporárias e escritórios da Pinacoteca.

A Pina Contemporânea é o anexo mais recente do museu, inaugurado em 2023. Também localizado na Praça da Luz, o espaço recebe atividades artísticas e culturais, duas galerias para exibição de obras em grandes formatos, ateliês para atividades educativas, Biblioteca de Artes Visuais, além de loja, auditório, mirante e espaço de acolhimento. Este terceiro prédio consagrou a Pinacoteca de São Paulo como um dos maiores da América Latina, tendo um total de 22.041 m², e potencial para receber mais de 1 milhão de visitantes por ano.

Acervo

Desde sua origem, a Pinacoteca se define menos como um museu estático e mais como um campo de experimentação. Segundo Yuri Quevedo, o museu atua como um espaço que se transforma ao longo do tempo, inclusive em seu acervo de longa duração, pensado para ser móvel e constantemente reconfigurado. "A Pinacoteca é um espaço de experimentação artística desde 1905", afirma.

Essa dinâmica permite que obras clássicas sejam relidas a partir de novos olhares, criando relações com produções contemporâneas e abrindo caminhos para interpretações atualizadas da história do Brasil.

Esse princípio se reflete em um acervo que, atualmente, reúne cerca de 13 mil obras, das quais aproximadamente 1.200 estão em exposição. A curadoria trabalha a partir de grandes eixos conceituais, como a relação dos artistas com o sistema da arte, o vínculo entre corpo e território e a construção de tipos sociais que ajudam a formar uma ideia de identidade brasileira.

Obras históricas, como os célebres "Caipiras" de Almeida Júnior, convivem com produções contemporâneas, inclusive de artistas negros e indígenas, que ressignificam narrativas que antes eram consolidadas e reivindicam a autorrepresentação. "São obras de uma ligação tão forte com o público que a gente não consegue tirar da parede. O público vem e se reconhece nelas", diz o curador.

A preservação das obras é outro pilar central da atuação da Pinacoteca ao longo desses 120 anos. Quevedo destaca que o museu tem uma condição singular no país. "A Pinacoteca de São Paulo é um dos primeiros museus do Brasil a ter um laboratório de restauro e mantém uma equipe interna dedicada à conservação preventiva das obras que trabalha diariamente para cuidar e conservar as obras", afirma.

No Parque da Luz, onde estão esculturas expostas ao ar livre desde os anos 2000, o acervo não foi modificado desde então e o cuidado é constante. Essas obras com dimensões públicas são vistoriadas semanalmente e podem ficar expostas a intempéries, o que faz delas uma coleção muito característica, de acordo com Quevedo.

Além disso, o museu discute atualmente a reformulação do parque de esculturas, sem retirar obras existentes, mas incorporando novos discursos e ampliando a diversidade de artistas representados. "Queremos trazer mais artistas mulheres, negros e indígenas, para compor um parque que seja representativo do tecido social brasileiro", destaca.


Obra de Nádia Taquary, Mami Wata (2023), recém adquirida no jardim das Esculturas da Pinacoteca do Estado de São Paulo e que passa a integrar permanentemente a exposição reforçando a relevância de vozes negras e indígenas na escultura brasileira. Foto: Fernanda Franco

Programação

A programação anual da Pinacoteca reflete essa visão de abertura ao novo. A curadora-chefe Ana Maria Maia, explica que cada ano é organizado a partir de um tema central, que orienta exposições temporárias, individuais e coletivas, distribuídas pelas galerias dos três prédios. A proposta é relacionar a produção artística com a realidade social e a experiência do público, reforçando a missão educativa do museu e sua vocação pública.

A partir da definição do tema, as exposições vão sendo distribuídas pelos espaços. "A gente vai ocupando os prédios, pensando artistas, exposições individuais, coletivas, colaborações, que vão desdobrando esse tema em histórias interessantes", explica Ana Maria. O objetivo, segundo ela, é construir narrativas que levem o público à reflexão. "A gente costura uma programação para contar histórias que o público consiga identificar com autonomia".

Este ano o tema foi "Pop Popular" e a Pinacoteca preparou um calendário de 18 exposições inéditas para comemorar seus 120 anos de atividade, que perpassou os três edifícios. A programação voltou o olhar para as manifestações e tradições populares, abordando desde a formação de público até os processos de popularização das artes plásticas no Brasil. Nesse contexto, o museu propõe uma reflexão sobre as relações entre a arte, a cultura pop e a cultura popular.

Público

Nos últimos dez anos, a Pinacoteca recebeu cerca de 6 milhões de visitantes. Para além das exposições, o museu investe na educação dos públicos, no atendimento qualificado e na manutenção constante dos espaços, inclusive nos dias em que permanece fechado para visitação - sempre às terças-feiras - dedicados a limpeza, reparos e cuidados com as obras.

Uma pesquisa de público da Pinacoteca de São Paulo realizada em 2022 com 894 respondentes, mostra que o museu é amplamente percebido por seu público como um espaço de excelência, associado a educação, preservação da memória e reflexão social. 91% dos respondentes afirmam que a Pinacoteca é um espaço seguro para apresentar novos pontos de vista e debater a realidade social.

Segundo o levantamento, 66,9% dos participantes apontam as exposições temporárias como principal motivação de visita, seguidas pelo interesse nas artes visuais brasileiras (43,8%); pelo acervo permanente (40,2%); interesse por algum artista, tema ou conteúdo específico (35,1%); vontade de se informar ou aprender (22,7%); e ver os edifícios (18%).

Ana Maria lembra que os três prédios da Pinacoteca estabelecem uma relação direta com a história. "O edifício da Luz é um prédio que não foi acabado. Ele sempre dá essa dúvida se fala do futuro ou se fala do passado", afirma. "A gente olha as questões do tempo contemporâneo para um passado sem pretender corrigi-lo, mas colocando novas questões para a história do Brasil", diz. É essa postura que, segundo ela, permite à Pinacoteca seguir relevante após 120 anos.

"Seu compromisso de ser um museu acessível, que não se dirige apenas a especialistas, mas a todos que desejam se reconhecer, estranhar e refletir a partir da arte", disse a curadora-chefe. Ao articular passado e presente, tradição e experimentação artística, a instituição segue como um espaço fundamental para pensar o Brasil como é hoje, sua história e seus futuros possíveis. É justamente essa capacidade de se reinventar que sustenta a longevidade do museu.

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