Saúde • 07:19h • 04 de agosto de 2026
Semana Mundial do Aleitamento Materno marca início do Agosto Dourado
Especialista alerta para assédio da indústria de fórmulas infantis
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
A Semana Mundial do Aleitamento Materno (SMAM) 2026 tem como tema "Amamentação para um começo de vida sustentável: fortaleça o que funciona", proposta da World Alliance for Breastfeeding Action (WABA) que orienta as ações do Agosto Dourado. A campanha reforça a importância de ampliar políticas e estratégias já comprovadamente eficazes para proteger, promover e apoiar a amamentação.
O Ministério da Saúde destaca que o aleitamento materno é fundamental para garantir a nutrição adequada das crianças, fortalecer a segurança alimentar e contribuir para a redução das desigualdades sociais.
A dona de casa Lorrany Duarte, mãe da recém-nascida Elisa, vive novamente a experiência da amamentação. Desta vez, ela pretende manter o aleitamento materno exclusivo e em livre demanda nos seis primeiros meses de vida da filha. A decisão é motivada também pela experiência com a primeira filha, que passou a receber fórmula infantil ainda no primeiro mês de vida e enfrentou problemas frequentes de saúde durante a infância.
Para superar as dificuldades iniciais da amamentação, Lorrany conta com o apoio da irmã, Marielly Duarte, mãe de três filhos, que a auxilia no manejo da retirada do leite e incentiva a continuidade do aleitamento.
Fórmulas infantis devem ser indicadas apenas em situações específicas
A presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Rossiclei Pinheiro, alerta que a desinformação e o marketing das fórmulas infantis ainda representam obstáculos para a amamentação. Segundo a especialista, esses produtos não substituem o leite materno e sua indicação deve ocorrer apenas em situações específicas, sempre com orientação de um médico, preferencialmente pediatra, ou nutricionista.
Entre os casos em que a fórmula pode ser necessária estão contraindicações médicas para amamentar, como mães que vivem com HIV, dificuldades que impossibilitem o aleitamento ou bebês com determinadas alergias.
A pediatra ressalta que a Sociedade Brasileira de Pediatria tem investido na capacitação dos profissionais de saúde para fortalecer o manejo adequado da amamentação e evitar prescrições desnecessárias de fórmulas. Segundo ela, problemas como dor, fissuras mamárias e ingurgitamento podem ser tratados, permitindo a continuidade da amamentação.
Além dos benefícios para a saúde da criança, o aleitamento materno reduz gastos das famílias com fórmulas, medicamentos e tratamentos, já que crianças amamentadas tendem a adoecer menos. Isso também diminui a necessidade de afastamentos dos pais do trabalho e favorece o desenvolvimento saudável dos bebês.
No Brasil, a comercialização de alimentos para lactentes é regulamentada pela Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância (NBCAL), prevista na Lei nº 11.265/2006. A legislação restringe a publicidade de mamadeiras, bicos artificiais e chupetas e proíbe práticas que possam incentivar o desmame precoce.
A Sociedade Brasileira de Pediatria também desaconselha o uso de mamadeiras e chupetas durante a amamentação, pois esses itens podem provocar confusão de bicos, reduzir o estímulo à produção de leite e favorecer o desmame precoce.
A campanha deste ano reforça a necessidade de fortalecer ações que já apresentaram resultados positivos. Em 2024, o Brasil assumiu o compromisso de alcançar 70% de aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida até 2030.
Os indicadores mostram avanço nas últimas décadas. O percentual de crianças em aleitamento materno exclusivo passou de 4,7% na década de 1980 para 45,8% em 2019, segundo o Estudo Nacional de Nutrição Infantil (Enani), coordenado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. A nova edição da pesquisa segue em andamento para atualizar os dados sobre alimentação e estado nutricional de crianças brasileiras.
Para especialistas, esse crescimento demonstra a eficácia das políticas públicas voltadas à saúde da criança. O aleitamento materno é considerado uma estratégia essencial para reduzir a mortalidade infantil e materna, diminuir desigualdades sociais e promover melhores condições de saúde ao longo da vida.
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