Mundo • 13:20h • 28 de agosto de 2026
Seca extrema avança 30% em países insulares enquanto Ásia Central perde geleiras
Relatórios apresentados na COP17 mostram mais de 80 milhões de hectares degradados na Ásia Central e apontam que 43% das terras de países insulares já são afetadas pela seca
Da Redação | Com informações da EBC | Foto: Reprodução/Redes Sociais
O avanço da degradação do solo, a redução das geleiras e a escassez de água estão aumentando a pressão ambiental sobre a Ásia Central e os pequenos países insulares em desenvolvimento. Dois relatórios apresentados na quarta-feira, 26 de agosto, durante a 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), em Ulaanbaatar, na Mongólia, mostram que mais de 50 países e territórios enfrentam efeitos que atingem recursos hídricos, produção de alimentos, solos e condições climáticas.
Os estudos fazem parte do Global Land Outlook (GLO), principal publicação da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD) sobre a situação das terras no planeta. Os novos documentos analisam separadamente a Ásia Central e os pequenos países insulares em desenvolvimento, conhecidos pela sigla SIDS.
Na Ásia Central, formada por Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão, Turcomenistão e Uzbequistão, mais de 80 milhões de hectares, o equivalente a mais de um quarto das terras, já estão degradados. O problema afeta aproximadamente 30% da população da região, ou 24 milhões de pessoas, e provoca perdas econômicas estimadas entre US$ 2 bilhões e US$ 6 bilhões por ano.
Geleiras perderam 30% do tamanho em 50 anos
Além da degradação das terras, a velocidade do aquecimento chama atenção. Segundo o relatório, a Ásia Central está aquecendo duas vezes mais rapidamente que a média global.
As geleiras, fundamentais para o abastecimento hídrico regional e descritas como as “torres de água” da Ásia Central, encolheram 30% em apenas 50 anos. A redução dessas reservas ocorre em uma região historicamente marcada por extensas estepes e oásis férteis, paisagem que vem sendo alterada pelas mudanças ambientais.
A combinação entre temperaturas mais altas, perda de gelo e degradação do solo amplia a pressão sobre a disponibilidade de água e sobre as populações que dependem desses recursos.
Seca já atinge 43% das terras de pequenos países insulares
O segundo relatório analisa 39 países e 18 territórios insulares distribuídos pelo Caribe, oceanos Pacífico, Atlântico e Índico e Mar do Sul da China. Juntos, eles possuem 18,8 milhões de hectares de terras degradadas em diferentes níveis, correspondentes a 16,5% da área total combinada.
A situação da água aparece entre os principais problemas. Mais de 70% desses países e territórios enfrentam escassez hídrica, enquanto 43% da área total são afetados pela seca. Desse território, 3% sofreram seca severa e 6%, seca extrema.
A comparação histórica mostra ainda uma intensificação dos episódios mais graves. A extensão total submetida à seca extrema aumentou 30% quando são comparados os períodos de 1961 a 1970 e de 2014 a 2023.
Milhões enfrentam insegurança alimentar
Os efeitos ambientais também aparecem na alimentação das populações insulares. Os dados estimam que 16,3 milhões de pessoas enfrentem insegurança alimentar grave e que 11,5 milhões estejam subnutridas.
Ao mesmo tempo, existe uma diferença expressiva entre os recursos atualmente disponíveis e o montante estimado para adaptação. Os pequenos países insulares recebem cerca de US$ 2 bilhões por ano em financiamento público para essa finalidade, aproximadamente 0,2% do financiamento climático global.
Os pesquisadores calculam uma necessidade mínima de US$ 11,7 bilhões anuais. Isso representa quase seis vezes o financiamento atual e uma diferença de aproximadamente US$ 9,7 bilhões por ano.
COP17 discute caminhos para reduzir vulnerabilidades
Apesar dos indicadores, a secretária executiva da UNCCD, Yasmine Fouad, avalia que ainda existe possibilidade de reverter parte desse cenário. “A prioridade agora é acelerar esse progresso, ao investir na gestão responsável da terra, fortalecendo a cooperação regional e internacional e garantindo que as pessoas e os ecossistemas permaneçam no centro das decisões de desenvolvimento”, afirmou.
Os dois relatórios colocam regiões geograficamente muito diferentes diante de desafios relacionados à terra e à água. Enquanto a Ásia Central enfrenta o rápido encolhimento das geleiras e milhões de hectares degradados, os pequenos países insulares convivem com avanço da seca, escassez hídrica e insegurança alimentar.
As informações foram apuradas pelo jornalista Rafael Cardoso, enviado especial da Agência Brasil a Ulaanbaatar, na Mongólia, que viajou a convite da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), após seleção entre jornalistas de diferentes continentes.
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