Saúde • 08:04h • 25 de janeiro de 2026
Saiba o que fazer para prevenir o aparecimento de escorpiões em casa
Número de acidentes com o aracnídeo tem crescido; no estado de SP foram registrados mais de 24 mil casos nos primeiros sete meses do ano
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1
A expansão urbana e as altas temperaturas estão entre os principais fatores que explicam o aumento da presença de escorpiões nas cidades. Ainda assim, alguns cuidados específicos podem ajudar a evitar encontros indesejados com o aracnídeo tanto no quintal quanto dentro de casa.
Os escorpiões preferem ambientes quentes e úmidos e precisam de quatro elementos básicos para sobreviver: alimento, água, abrigo e acesso. O lixo doméstico, por exemplo, atrai baratas, que são uma das principais fontes de alimento desses animais. Para se abrigar e circular, eles costumam se esconder em entulhos e infiltrar-se em redes de esgoto, tubulações de água e instalações elétricas, locais geralmente escuros e úmidos.
Segundo a bióloga e assistente técnica de pesquisa científica e tecnológica do Biotério de Artrópodes do Instituto Butantan, Denise Maria Candido, o controle é necessário porque não é possível — nem adequado — eliminar os escorpiões da natureza ou do ambiente urbano. Esses animais têm um papel importante no equilíbrio ecológico, pois atuam como predadores de outros seres vivos. Por isso, devem ser preservados, ao mesmo tempo em que medidas preventivas precisam ser adotadas para evitar a proliferação nas cidades e a ocorrência de acidentes.
Os escorpiões exercem uma função ecológica relevante na natureza, mas, em áreas urbanas, é fundamental adotar ações de controle, captura (busca ativa) e manejo ambiental para reduzir riscos à população.
No Brasil, quatro espécies são consideradas de interesse médico por estarem associadas ao maior número de acidentes. São elas: o escorpião-preto-da-Amazônia (Tityus obscurus), presente na região Norte e no estado do Mato Grosso; o escorpião-amarelo-do-Nordeste (Tityus stigmurus), que também tem sido registrado em São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Tocantins; o escorpião-marrom (Tityus bahiensis), comum no Centro-Oeste, Sudeste e Sul; e o escorpião-amarelo (Tityus serrulatus), encontrado em praticamente todo o país, com exceção de áreas onde ainda tem ocorrência restrita, como o Tocantins.
O manejo direto desses animais não é recomendado devido ao risco de acidentes. Ao encontrar um escorpião em casa, é essencial adotar medidas de proteção antes de qualquer ação. O uso de luvas de vaqueta ou de raspa de couro, botas ou sapatos fechados feitos de materiais resistentes, como couro, e até perneiras, em locais infestados, é indicado. Luvas de borracha e calçados de pano não oferecem proteção adequada, pois o ferrão consegue atravessar esses materiais.
Denise reforça que os escorpiões nunca devem ser manuseados diretamente. Caso seja necessário capturá-los, o ideal é utilizar um graveto longo ou uma pinça anatômica de cerca de 30 centímetros para conduzi-los até um frasco. Em seguida, o animal deve ser encaminhado ao Centro de Controle de Zoonoses do município.
Como evitar o aparecimento de escorpiões
Para afastar os escorpiões, é fundamental manter casas e apartamentos limpos e organizados, sem acúmulo de lixo, entulho, folhas secas ou materiais de construção. Buracos no chão ou nas paredes podem servir de esconderijo, assim como roupas sujas ou molhadas deixadas no chão.
Esses animais têm hábitos noturnos e raramente aparecem durante o dia, o que dificulta a sua identificação. “O escorpião não é um animal agressivo. Ele se defende quando alguém coloca a mão ou pisa nele. Diante de uma ameaça, o instinto é fugir”, explica a bióloga.
Entre as principais recomendações estão: manter o lixo bem acondicionado para evitar insetos que servem de alimento aos escorpiões; manter quintais e jardins limpos, sem entulho ou folhas secas; evitar que plantas densas encostem em muros e paredes; vedar portas com soleiras ou saquinhos de areia; instalar telas nas janelas; manter rodapés bem fixados; vedar ralos com tampas ou modelos de abre e fecha; não deixar roupas no chão; sacudir calçados antes de usá-los; afastar camas e móveis das paredes; evitar roupas de cama encostadas no chão; e manter fechados buracos em paredes, caixas de luz e passagens de cabos.
O mito das galinhas
Existe a crença de que galinhas seriam eficazes no controle de escorpiões em áreas urbanas e rurais. Embora essas aves possam se alimentar dos aracnídeos, essa prática é considerada ineficiente. Além disso, a criação de aves em áreas urbanas é proibida sem autorização das autoridades sanitárias.
Um estudo realizado por doutorandos da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP) mostrou que galinhas são predadoras naturais de escorpiões, mesmo sofrendo picadas, já que o veneno não costuma ser letal para as aves. Ainda assim, Denise alerta que elas não devem ser utilizadas como método de controle, pois podem gerar outros problemas de saúde pública.
Segundo a bióloga, as galinhas têm hábitos diurnos, enquanto os escorpiões são noturnos, o que reduz o contato entre eles. Além disso, o acúmulo de fezes das aves pode favorecer a proliferação do flebotomíneo, inseto transmissor da leishmaniose.
Temporada de escorpiões
Nos meses mais quentes, a presença de escorpiões tende a aumentar. Nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, isso ocorre principalmente entre setembro e fevereiro. Já no Norte e no Nordeste, onde as temperaturas são elevadas durante todo o ano, a incidência costuma ser constante.
A reprodução rápida desses animais também preocupa. Cada gestação pode gerar entre 20 e 25 filhotes, e esse processo pode ocorrer até duas vezes por ano ao longo de uma vida média de quatro anos. No caso do escorpião-amarelo e do escorpião-amarelo-do-Nordeste, as fêmeas se reproduzem por partenogênese, ou seja, sem necessidade de acasalamento.
Os filhotes levam de 10 a 12 meses para atingir a fase adulta e, a partir daí, já podem se reproduzir. O escorpião-amarelo, em especial, adapta-se facilmente ao ambiente urbano e à convivência com o ser humano, o que contribui para o aumento do número de acidentes.
O que fazer em caso de picada
Os acidentes com escorpiões podem variar de leves a graves. O veneno afeta o sistema nervoso e provoca dor intensa no local da picada, que surge imediatamente e pode se espalhar pelo membro atingido. Em casos moderados, podem ocorrer suor excessivo, vômitos e taquicardia. Já nos quadros graves, além da dor intensa, há risco de salivação excessiva, insuficiência cardíaca, edema pulmonar e até morte.
Após a picada, a orientação é lavar o local com água e sabão e aplicar uma compressa de água quente para aliviar a dor. Em seguida, a pessoa deve procurar atendimento médico o mais rápido possível. As unidades de referência para atendimento a acidentes com animais peçonhentos estão listadas no site do Ministério da Saúde.
Casos leves e moderados podem ser tratados com infiltração de anestésico. Quando necessário, o médico pode indicar o uso do soro antiaracnídico ou antiescorpiônico, produzidos pelo Instituto Butantan. Somente o profissional de saúde está apto a avaliar a gravidade do caso e definir a necessidade do soro. O Instituto mantém ainda o Hospital Vital Brazil, especializado em envenenamentos por animais peçonhentos, localizado no Parque da Ciência, na cidade de São Paulo.
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