Responsabilidade Social • 15:26h • 06 de fevereiro de 2026
Saiba como educar crianças e adolescentes para respeitar os animais
Conheça experiências de cuidado e convivência
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
A violência contra animais voltou ao centro do debate nacional nas últimas semanas após o espancamento do cão comunitário Orelha por quatro adolescentes em Florianópolis (SC). O episódio reacendeu discussões sobre punição aos responsáveis, banalização da violência, prevenção, ressocialização e o papel de ações educativas para romper ciclos de agressão.
Para entender como o estímulo ao contato responsável com animais pode contribuir para a prevenção da violência, a Agência Brasil ouviu organizações não governamentais que atuam na proteção animal e a prefeitura de São Paulo, responsável por um dos maiores programas públicos de adoção e educação ambiental do país.
Com 15 anos de atuação, o Instituto Ampara Animal iniciará nos próximos dias a campanha “Quebre o Elo”, voltada à conscientização sobre a gravidade da violência contra animais. A organização parte do entendimento de que esse tipo de agressão pode refletir outras violências vividas pelo agressor ou por pessoas de seu convívio, além de ser um indicador de riscos para grupos vulneráveis, como crianças, mulheres e idosos.
Segundo a diretora de relações institucionais da Ampara, Rosângela Gerbara, a educação é o principal caminho para a transformação. Ela defende a chamada educação humanitária em bem-estar animal, voltada especialmente a crianças e adolescentes, como forma de estimular empatia, respeito e redução de comportamentos violentos. A proposta envolve ensinar o cuidado gradual com os animais, respeitando o tempo e o comportamento de cada espécie e promovendo o contato com ambientes naturais.
A importância de romper a visão do animal como objeto também é destacada pela ONG Toca Segura, que cuida de cerca de 400 animais no Distrito Federal e em Goiás. Voluntária da instituição, Viviane Pancheri explica que o trabalho educativo busca mostrar que os animais são seres sencientes, capazes de sentir medo, abandono e felicidade. A ONG desenvolve ações em escolas e recebe famílias no abrigo, promovendo atividades supervisionadas de cuidado e convivência.
De acordo com Viviane, a interação é planejada com atenção tanto às crianças quanto aos animais, muitos deles vítimas de abandono e maus-tratos. Entre as estratégias adotadas estão passeios monitorados e feirinhas de adoção, que ajudam os animais a se acostumarem com a presença humana e estimulam o senso de responsabilidade em crianças e adolescentes. Ela relata casos em que o contato gradual com os animais contribuiu para mudanças significativas na trajetória pessoal e profissional de jovens voluntários.
No âmbito das políticas públicas, a prefeitura de São Paulo mantém centros de adoção com centenas de cães e gatos e desenvolve programas voltados à guarda responsável e à educação ambiental. As unidades recebem grupos escolares para atividades mediadas de contato com os animais, com o objetivo de formar consciência e transformar as crianças em multiplicadoras das informações em suas famílias e comunidades.
Um dos projetos é o Superguardiões, criado em 2019 e realizado por agendamento. Em 2025, mais de 1.900 pessoas participaram das atividades. Outra iniciativa, o programa Leituras, envolve crianças em fase de alfabetização, que leem histórias para cães e gatos do centro de adoção, integrando a ação ao processo de letramento escolar.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, além de contribuir para a educação e a sensibilização, essas ações ajudam os animais a se tornarem mais sociáveis, facilitando a adoção. O processo de adoção, reforçam as organizações, deve ser planejado, considerando o consenso familiar, a responsabilidade com os cuidados, o tempo disponível e a adequação da rotina, como forma de evitar novos casos de abandono e violência.
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