Ciência e Tecnologia • 15:51h • 04 de fevereiro de 2026
Robô educacional transforma o ensino de matemática para crianças do ensino fundamental
Desenvolvido pela startup Cognology, o Titi é integrado a um aplicativo para tablets no qual as crianças acessam jogos alinhados à Base Nacional Comum Curricular (BNCC)
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Governo de SP
Durante trabalhos voluntários em escolas públicas, a pesquisadora Débora Regina Ito passou a questionar como despertar o interesse real pelo aprendizado em crianças já acostumadas ao uso intenso de telas. A partir dessa inquietação, surgiu o robô Titi, uma ferramenta que utiliza a gamificação para apoiar o ensino de matemática e de pensamento computacional a alunos do 1º ao 5º ano do ensino fundamental.
Desenvolvido pela startup Cognology, o robô funciona integrado a um aplicativo para tablets, no qual os estudantes acessam jogos alinhados à Base Nacional Comum Curricular (BNCC). O professor escolhe a habilidade matemática a ser trabalhada e o jogo correspondente. Segundo Ito, a proposta é tornar conceitos abstratos mais concretos, com apoio de material pedagógico que orienta o planejamento das aulas.
As atividades são realizadas em grupos de três alunos, estimulando o trabalho colaborativo. Os jogos alternam formatos competitivos e cooperativos. Em uma das dinâmicas, os estudantes lançam um dado digital e movimentam o robô físico para frente ou para trás, aplicando operações de soma e subtração. O deslocamento também é reproduzido em um mapa virtual no tablet, permitindo que o resultado das contas seja visualizado de forma prática.
Atualmente na terceira versão do software, o Titi também auxilia professores a identificar dificuldades de aprendizagem. O sistema gera relatórios que indicam quais alunos precisam de acompanhamento específico, facilitando intervenções pedagógicas direcionadas. De acordo com a fundadora, o uso do robô ajuda as crianças a expressarem dúvidas com mais naturalidade.
A solução está alinhada às orientações da BNCC, que recomenda o uso de jogos e recursos digitais no ensino da matemática. Ao longo do desenvolvimento, o projeto passou por adaptações tecnológicas. Inicialmente baseado em tapetes físicos, o sistema evoluiu para o uso de tablets, mudança motivada, entre outros fatores, por restrições ao uso de celulares em sala de aula. A alteração reduziu custos e ampliou a flexibilidade da ferramenta.
Embora tenha sido idealizado com foco na rede pública, o Titi está atualmente presente apenas em escolas privadas. Segundo Ito, a entrada no sistema público ainda esbarra em processos burocráticos. A estratégia da startup é consolidar o produto no setor privado para, no futuro, buscar a adoção em escolas públicas.
Incubada no Parque de Inovação Tecnológica de São José dos Campos, a Cognology contou com apoio do programa Centelha, da Finep, com operação da Fapesp em São Paulo. O robô, inicialmente chamado Teachbot, recebeu o nome Titi após sugestões de professores, que avaliaram a nova denominação como mais acessível ao público infantil.
A pesquisadora também avalia que a ferramenta tem potencial de uso internacional, já que desafios semelhantes são observados em outros países. A proposta do Titi é integrar, em uma única plataforma, recursos educacionais que hoje estão dispersos.
O avanço de iniciativas como essa ocorre em um contexto de mudanças na legislação educacional. Em 2023, o Congresso Nacional aprovou a inclusão de competências digitais, como programação e robótica, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). Apesar do respaldo legal, especialistas apontam que a implementação ainda depende de melhorias na infraestrutura das escolas e na formação de professores para o uso pedagógico das tecnologias.
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