Saúde • 09:38h • 24 de agosto de 2026
Remédio pela internet ainda gera desconfiança e falsificação é o maior medo dos brasileiros
Pesquisa mostra que 69% têm receio de adquirir medicamentos falsificados pela internet, enquanto Anvisa prepara novas regras para o uso de plataformas digitais por farmácias
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da EBC | Foto: Divulgação
A facilidade de comprar pela internet encontra uma barreira quando o produto é medicamento. Pesquisa do Instituto QualiBest mostra que 69% dos brasileiros têm medo de adquirir remédios falsificados nos canais digitais. Outros 59% temem receber produtos vencidos ou armazenados de maneira inadequada e 54% demonstram preocupação com medicamentos sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
O levantamento, encomendado pela Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), ouviu 2.024 pessoas de todas as regiões do país entre 13 e 17 de julho. Todos os participantes são responsáveis pela compra de medicamentos em casa e realizam compras pelo menos uma vez a cada três meses.
Para 82% dos entrevistados, a comercialização digital de medicamentos deve estar obrigatoriamente vinculada a uma farmácia ou drogaria autorizada. Outros 71% consideram que remédios não devem ser tratados como mercadorias comuns nas plataformas digitais. Em caso de oferta de produtos falsificados, sem registro ou de procedência desconhecida, 85% atribuem responsabilidade às próprias plataformas.
Venda por plataformas ainda depende de regulamentação
O debate ganhou força neste mês depois que a Anvisa revogou medidas que proibiam a comercialização e a propaganda de medicamentos em plataformas como iFood, Rappi, Mercado Livre, Submarino, Americanas e Shopee. A mudança, porém, não significa que esses canais estejam automaticamente autorizados a vender medicamentos.
A Lei nº 15.357/2026 permite que farmácias e drogarias regularmente licenciadas contratem plataformas digitais para logística e entrega de medicamentos. A forma como essa operação deverá funcionar ainda será regulamentada pela Anvisa, que abriu no último dia 19 processo administrativo para definir as novas regras.
O Conselho Federal de Farmácia (CFF) também ressalta que a mudança não significa liberar a venda indiscriminada de medicamentos pela internet. A operação continuará vinculada às farmácias e às exigências sanitárias.
Preço muito baixo pode ser sinal de alerta
A pesquisa mostra que o brasileiro já está habituado ao comércio eletrônico: 95% dos entrevistados fizeram compras pela internet e nove em cada dez afirmam verificar a segurança do site antes de comprar. Ao mesmo tempo, 69% já enfrentaram alguma experiência negativa no comércio eletrônico, como atraso, produto diferente do anunciado, mercadoria danificada ou golpes.
No caso dos medicamentos, 78% dizem confiar mais na compra quando existe assistência de um farmacêutico. Já 56% afirmam que teriam dificuldade para saber a quem recorrer diante de um problema com remédios adquiridos em plataformas.
Entre os cuidados apontados pelo Procon está desconfiar de medicamentos oferecidos por preços muito abaixo daqueles normalmente praticados no mercado. O consumidor também deve guardar nota fiscal, comprovante da compra e anúncio do produto, documentos que podem ser importantes em eventual reclamação ou investigação.
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