Economia • 15:20h • 09 de agosto de 2026
Reforma Tributária muda a precificação das agências e exige revisão imediata dos contratos
Obrigatoriedade do IBS e da CBS nos documentos fiscais exige revisão de preços, contratos e planejamento financeiro para preservar a rentabilidade das empresas
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Lara Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
A entrada em vigor da obrigatoriedade do preenchimento dos campos do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) nos documentos fiscais eletrônicos, desde 3 de agosto de 2026, marca uma nova etapa da Reforma Tributária e deve provocar mudanças importantes na rotina das empresas de comunicação. Agências de publicidade, assessorias de imprensa, produtoras, consultorias e outros prestadores de serviços precisarão revisar a formação de preços, contratos e estratégias financeiras para evitar perda de rentabilidade.
Segundo o contador e especialista em Direito Tributário Robson Araújo, CEO da SmartSolve, a reforma vai muito além do cálculo dos tributos. Para ele, as empresas precisam compreender como a nova estrutura tributária interfere diretamente na margem de lucro e na viabilidade dos contratos.
"O empresário precisa entender como a nova tributação afeta a formação do preço, a margem de contribuição e a rentabilidade dos contratos. Quem não fizer essa análise pode reduzir a lucratividade sem perceber", afirma.
O momento é especialmente relevante para o setor de serviços. Dados do IBGE mostram que o segmento de informação e comunicação acumula crescimento de 6,4% no volume de serviços em 2026 até abril, enquanto os serviços profissionais, administrativos e complementares também seguem em expansão, reforçando a importância econômica das empresas ligadas à publicidade, marketing, comunicação e consultoria.
Precificação deixa de ser apenas decisão comercial
Na avaliação do especialista, a definição do preço dos serviços passa a depender não apenas dos custos operacionais e da concorrência, mas também da nova lógica tributária.
Segundo Robson, contratos firmados antes da implantação definitiva do novo modelo poderão exigir reavaliações para evitar desequilíbrios financeiros, principalmente aqueles de longo prazo ou com reajustes previamente estabelecidos.
"A forma de calcular preços muda. Em muitos casos, não será o imposto isoladamente que fará diferença, mas a maneira como ele interfere na rentabilidade do negócio", explica.
Cinco medidas para enfrentar a transição
Para reduzir riscos durante a adaptação ao novo sistema tributário, o especialista recomenda que as empresas iniciem imediatamente um processo de revisão interna. Entre as principais ações estão:
- Revisar a formação de preços considerando a nova estrutura tributária;
- Atualizar sistemas e processos para atender às exigências do IBS e da CBS;
- Integrar as equipes financeira, fiscal e comercial;
- Identificar quais serviços serão mais impactados pela tributação;
Acompanhar indicadores de rentabilidade para medir os efeitos da reforma sobre o resultado da empresa.
Segundo o especialista, deixar essas análises para a última hora pode reduzir a capacidade de negociação e comprometer o planejamento financeiro.
Integração entre áreas será decisiva
A Reforma Tributária também muda a forma como as empresas tomam decisões. Áreas que tradicionalmente atuavam de forma separada, como comercial, financeira e fiscal, precisarão trabalhar de maneira integrada para garantir previsibilidade e competitividade.
Para Robson, esse período representa uma oportunidade para fortalecer a gestão das empresas.
"Não é apenas uma mudança de legislação. É uma revisão da forma como a empresa toma decisões financeiras e comerciais. Quem aproveitar esse momento para estruturar a gestão poderá transformar uma obrigação tributária em uma vantagem competitiva", conclui.
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