Educação • 15:41h • 12 de agosto de 2026
Redação do Enem 2026: 7 temas que merecem entrar no radar dos estudantes
Proteção de crianças na internet, alfabetização, neurodivergência, ciência e mudanças climáticas estão entre assuntos que podem ajudar candidatos a ampliar o repertório para a prova
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Nova PR | Foto: Arquivo/Âncora1
A poucos meses do Enem 2026, tentar adivinhar qual será o tema da redação pode ser menos produtivo do que compreender os grandes debates que atravessam o país. Proteção de crianças no ambiente digital, futuro da juventude, alfabetização plena, confiança na ciência, altas habilidades, neurodivergência e calamidades climáticas estão entre sete assuntos que merecem atenção durante a preparação, segundo o professor Ademar Celedônio, diretor de ensino e inovação da Arco Educação.
A seleção não significa que algum deles necessariamente aparecerá na prova. O objetivo é outro: estudar questões atuais que permitem construir repertório e treinar características tradicionalmente exigidas pelo Enem, como interpretação de problemas sociais, argumentação, garantia de direitos e elaboração de propostas de intervenção.
“O objetivo não é tentar adivinhar o tema da redação, mas identificar assuntos atuais que dialogam com características recorrentes da prova”, explica Celedônio. Para o professor, acompanhar o noticiário também ajuda o estudante a relacionar acontecimentos recentes a problemas estruturais do Brasil.
1. Crianças e adolescentes no ambiente digital
O crescimento do uso de redes sociais, aplicativos e outras plataformas colocou em evidência questões como cyberbullying, coleta de dados, exposição a conteúdos inadequados, publicidade direcionada e outras formas de violência online.
Uma redação nessa área poderia envolver educação digital nas escolas, responsabilidade das plataformas, proteção de dados, verificação de idade, participação das famílias e criação de canais de denúncia e acolhimento.
2. O futuro da juventude brasileira
Violência, evasão escolar, dificuldade de acesso ao primeiro emprego e falta de oportunidades formam outro campo amplo para estudo.
O assunto permite relacionar educação, segurança pública, desigualdade, cultura, trabalho e perspectivas de futuro, além de discutir como diferentes problemas atingem de maneira desigual os jovens brasileiros.
3. Alfabetizar não é apenas ensinar alguém a ler palavras
Outro tema destacado pelo professor é a alfabetização plena. A discussão vai além de reconhecer letras e formar frases: envolve conseguir interpretar textos, informações públicas, conteúdos digitais e dados necessários para tomar decisões cotidianas.
Entre os caminhos possíveis estão alfabetização funcional, Educação de Jovens e Adultos, formação de professores, combate à evasão, letramento digital e midiático e desigualdades de acesso à educação.
O assunto também ajuda a compreender por que ler uma notícia inteira e interpretar seu contexto é diferente de conhecer apenas aquilo que aparece no título.
Ciência, inclusão e clima também merecem atenção
4. Confiança na ciência e nas instituições de saúde
Desinformação sobre vacinas, tratamentos e pesquisas abre espaço para discutir comunicação científica, educação, transparência, responsabilidade das plataformas e aproximação entre universidades, imprensa e sociedade.
5. Estudantes com altas habilidades ou superdotação
A identificação desses alunos, a formação dos professores e a adaptação do ensino aparecem entre os pontos centrais. O tema permite abordar também acesso ao atendimento especializado e a chamada dupla excepcionalidade, quando altas habilidades estão associadas a condições como autismo, TDAH ou dislexia.
6. Inclusão das pessoas neurodivergentes
Autismo, TDAH, dislexia e outras condições podem aparecer em uma discussão mais ampla sobre barreiras encontradas na escola, no mercado de trabalho e em diferentes espaços sociais. A abordagem pode envolver acessibilidade, formação profissional, autonomia e combate ao capacitismo.
7. Calamidades climáticas e degradação ambiental
Enchentes, queimadas, desmatamento e outros eventos ambientais permitem conectar clima a planejamento urbano, prevenção de desastres, sistemas de alerta, proteção das populações vulneráveis e políticas públicas de longo prazo.
Não basta decorar repertório
Conhecer muitos assuntos pode ajudar, mas a preparação para a redação não deve se transformar em uma tentativa de acumular frases e referências para encaixá-las artificialmente no texto.
Segundo Celedônio, o estudante precisa conseguir entender o problema apresentado, construir uma linha de argumentação e desenvolver uma proposta de intervenção coerente. “Para atingir a nota 1000, é importante saber interpretar o problema, argumentar e propor soluções viáveis”, afirma.
Por isso, os sete temas funcionam principalmente como pontos de partida para treino. Ler diferentes fontes, acompanhar o noticiário, compreender causas e consequências e praticar redações sobre problemas contemporâneos pode deixar o candidato mais preparado mesmo que o assunto escolhido pelo Enem seja completamente diferente.
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