Economia • 16:08h • 23 de agosto de 2026
Quem tem score acima de 800 consegue até 4,7 vezes mais aprovações de crédito, aponta índice
Análise de mais de 10 milhões de solicitações mostra que histórico de crédito e ocupação pesam mais na pré-aprovação do que a região onde o consumidor mora
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Divulgação
Conseguir um empréstimo pessoal depende de uma combinação de fatores, mas alguns deles fazem uma diferença muito maior na análise das instituições financeiras. Um levantamento da Juros Baixos, elaborado a partir de mais de 10 milhões de pedidos processados pela plataforma, aponta que score de crédito, restrições no CPF e ocupação profissional estão entre os fatores que mais diferenciam os consumidores na pré-aprovação.
Em janeiro de 2026, a taxa de pré-aprovação de empréstimos pessoais chegou a 66,6% no país, maior nível registrado na série do Índice Juros Baixos de Empréstimo (IJBE). O resultado ficou 8,7 pontos percentuais acima do observado 12 meses antes.
O avanço, porém, não significa que o crédito tenha se tornado igualmente acessível para todos. Os dados mostram diferenças expressivas conforme o perfil do consumidor. Pessoas com score interno acima de 800, por exemplo, apresentaram uma taxa de aprovação 4,7 vezes maior que aquelas com pontuação inferior a 500.
Score aparece como principal diferencial
O score interno analisado pelo levantamento considera o comportamento e o risco associado ao solicitante. Apenas 26% das pessoas que buscaram crédito estavam acima de 700 pontos, enquanto os outros 74% permaneciam abaixo desse patamar.
A diferença ajuda a dimensionar por que consumidores que procuram valores semelhantes podem receber respostas completamente distintas das instituições. Quanto melhor o histórico associado ao solicitante, maior foi a taxa de aprovação identificada pelo índice.
Outro obstáculo importante são as restrições no CPF. Em janeiro, 46% dos solicitantes apresentavam algum tipo de restrição, mas somente 19% desse grupo conseguiram aprovação. A diferença de 27 pontos percentuais permaneceu praticamente estável ao longo dos 15 meses analisados pelo levantamento.
“O endereço pesa menos do que muitas pessoas imaginam. Um score mais alto, CPF sem restrições e ocupação formal estão associados a melhores resultados em diferentes regiões do país”, afirma Arthur Bonzi, cofundador e COO da Juros Baixos.
LEIA TAMBÉM: Por que o seguro pode custar mais caro para algumas pessoas? Corretor explica o que influencia no valor
Ter emprego formal também faz diferença
A situação profissional aparece como outro elemento relevante. Trabalhadores com carteira assinada tiveram uma taxa de aprovação 2,3 vezes maior que a registrada entre trabalhadores informais.
Aposentados e pensionistas do INSS alcançaram uma taxa equivalente a 1,6 vez a média, resultado associado no levantamento à comprovação de renda e à maior previsibilidade do fluxo de recursos. Entre empresários, a taxa chegou a 4,7 vezes a média, embora eles representem uma parcela pequena dos solicitantes.
No outro extremo estão os desempregados, que tiveram a menor conversão entre os perfis avaliados. A taxa desse grupo correspondeu a apenas 30% da média nacional.
Os números ajudam a mostrar que a renda declarada, isoladamente, não determina o resultado. Histórico de crédito, existência de restrições e características da ocupação acabam compondo um retrato mais amplo do risco considerado na análise.
Onde a pessoa mora pesa menos, mas diferenças regionais existem
O Sudeste concentrou 52,3% das aprovações analisadas, seguido pelo Sul, com 17,7%, Nordeste, com 13,4%, Centro-Oeste, com 9,8%, e Norte, com 5,1%.
A taxa de aprovação no Sul foi 2,1 vezes a registrada no Nordeste. Enquanto os nordestinos responderam por 25% das solicitações, concentraram 17% das aprovações, diferença de oito pontos percentuais observada durante a série.
O Norte, apesar de ter a menor participação nacional, apresentou crescimento expressivo. Amapá, Tocantins e Amazonas tiveram aumento superior a 200% no volume de aprovações no período analisado.
São Paulo, por sua vez, respondeu sozinho por 24,9% de todas as solicitações de empréstimo pessoal registradas no país em março de 2026.
Juros básicos caíram, mas crédito não ficou mais barato imediatamente
O cenário de aprovação também convive com um custo elevado para quem consegue contratar. Em março, o Banco Central realizou o primeiro corte da Selic em quase dois anos, levando a taxa básica para 14,75% ao ano, segundo os dados considerados pelo levantamento.
No mesmo período, entretanto, o Indicador de Custo do Crédito (ICC) avançou de 22% para 24,2% ao ano. A diferença mostra que uma redução da taxa básica de juros não necessariamente chega de maneira imediata ao custo final dos empréstimos.
Nesse ambiente, comparar propostas continua sendo importante antes da contratação, especialmente porque condições, taxas e critérios de análise podem variar entre as instituições.
O IJBE é divulgado trimestralmente pela Juros Baixos e acompanha, além das aprovações, o volume e o perfil das solicitações, valores procurados, distribuição geográfica e motivações dos consumidores. A base reúne mais de 10 milhões de pedidos processados pela plataforma.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Educação
Quem são os alunos de Assis, Cândido Mota e Florínea que conquistaram intercâmbio internacional: veja a lista
Jovens de oito municípios estudarão no Canadá, na Irlanda e na Nova Zelândia pelo Prontos pro Mundo e devem entregar documentos até 21 de setembro