Economia • 09:49h • 15 de outubro de 2026
Quase 9 milhões de brasileiros têm dívidas em bancos e fintechs ao mesmo tempo, aponta Serasa
Número de consumidores negativados nas duas modalidades mais que quadruplicou desde 2019; endividamento médio desse grupo chega a R$ 7,9 mil
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Serasa | Foto: Divulgação
O número de brasileiros com dívidas negativadas simultaneamente em instituições financeiras tradicionais e fintechs passou de 1,96 milhão, em dezembro de 2019, para 8,92 milhões em julho de 2026, segundo levantamento da Serasa Experian. O crescimento foi superior a 350% no período e fez com que esse grupo passasse a representar 16,5% dos consumidores inadimplentes em instituições financeiras, o equivalente a aproximadamente uma em cada seis pessoas nessa condição.
A pesquisa também mostra que o total de consumidores negativados em instituições financeiras chegou a 54,15 milhões em julho de 2026, diante dos 30,57 milhões registrados em dezembro de 2019. Entre aqueles com pendências tanto em bancos e outras instituições tradicionais quanto em fintechs, a quantidade média de dívidas financeiras alcançou 4,18 por pessoa, acima das 3,26 registradas no início da série.

O valor médio das dívidas desse grupo chegou a R$ 7.963. Entre os consumidores negativados exclusivamente em instituições tradicionais, a média foi de R$ 5.753, enquanto aqueles com pendências apenas em fintechs apresentaram R$ 1.026. A diferença evidencia como a presença de obrigações em diferentes modalidades de crédito está associada a valores mais elevados de endividamento.
Fintechs ganham espaço e bancos perdem participação relativa
A expansão dos serviços financeiros digitais também modificou a distribuição das dívidas inadimplidas. Embora os bancos continuem concentrando a maior parcela dos valores em atraso, sua participação caiu de 89%, em janeiro de 2018, para 66,4% em maio de 2026.

No mesmo intervalo, as cooperativas passaram de 3,6% para 14,5%, enquanto as financeiras avançaram de 5,7% para 15,4%. A categoria de outros serviços financeiros, que inclui as fintechs na classificação utilizada pelo estudo, aumentou de 1,6% para 3,8%.
Segundo a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, a ampliação do acesso aos serviços financeiros não significa, necessariamente, aumento do endividamento. A evolução da inadimplência também está relacionada às condições econômicas, especialmente ao custo do crédito e à renda disponível das famílias.

O levantamento identificou ainda uma mudança no indicador que relaciona registros de inadimplência e consultas de crédito. Após um crescimento acentuado entre 2022 e 2023, as instituições tradicionais apresentaram trajetória de redução desse índice, enquanto as fintechs registraram avanço mais gradual e persistente, ultrapassando o primeiro grupo no período recente. A Serasa ressalta que essa inversão não permite concluir, isoladamente, que as fintechs apresentam maior risco estrutural.
Outro sinal de dificuldade financeira aparece na recuperação dos valores em atraso. Entre 2024 e 2025, a taxa média anual de recuperação de crédito caiu de 70% para 66% nas instituições tradicionais e de 39% para 30% nas fintechs, indicando maior dificuldade na regularização das pendências.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Política
Lula ou Flávio Bolsonaro? Veja onde consultar propostas, histórico e informações antes de votar
Programas de governo em PDF, registros do Senado, despesas federais e plataformas de checagem permitem comparar os candidatos à Presidência com informações oficiais e documentos públicos