Saúde • 12:37h • 07 de agosto de 2026
Quase 70% das crianças até 5 anos consomem ultraprocessados todos os dias, alerta estudo
Especialistas defendem que escolas têm papel decisivo na formação de hábitos alimentares e alertam para impactos na saúde e no aprendizado
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Lumiere | Foto: Âncora1
Quase 70% das crianças brasileiras com até 5 anos consomem alimentos ultraprocessados diariamente, segundo dados apresentados durante o debate do Projeto de Lei (PL) 4.501/2020, que propõe proibir a venda desses produtos nas cantinas de escolas públicas e privadas. Especialistas afirmam que o ambiente escolar pode ser determinante para estimular hábitos alimentares mais saudáveis desde a primeira infância e reduzir problemas como obesidade, cáries e doenças crônicas.
O projeto reacendeu a discussão sobre o papel das escolas na alimentação infantil, ao mesmo tempo em que representantes da indústria defendem que políticas públicas priorizem educação alimentar em vez de restrições à comercialização desses produtos.
Consumo está associado a diversos problemas de saúde
Os dados apresentados no debate indicam que o consumo frequente de alimentos ultraprocessados está relacionado a um risco 71% maior de cárie, além de prejuízos ao desenvolvimento cognitivo e ao aumento dos casos de sobrepeso e obesidade entre crianças e adolescentes.
Os números mostram ainda uma evolução preocupante nos últimos dez anos. Entre crianças de 5 a 9 anos, o percentual de excesso de peso passou de 27,7% para 29,8%, enquanto a obesidade aumentou de 12,5% para 14,6% entre 2014 e 2024.
Entre adolescentes de 10 a 19 anos, o excesso de peso subiu de 23% para quase 32%, e a obesidade praticamente dobrou, passando de 6,5% para 13%.
Hábitos alimentares começam na infância
Para Andressa Meira, nutricionista da Merendô, a alimentação nos primeiros anos de vida exerce influência direta sobre a saúde ao longo de toda a vida.
Segundo ela, quanto maior a exposição precoce a alimentos ricos em açúcar, gordura e sódio, maiores são as chances de que esse padrão alimentar permaneça na vida adulta, aumentando o risco de doenças crônicas.
A especialista destaca que a escola ocupa uma posição estratégica nesse processo porque participa da rotina alimentar das crianças diariamente. "A repetição é o que constrói o hábito. Quando um alimento é apresentado de forma atrativa e faz parte da rotina, a adaptação costuma ocorrer naturalmente", afirma.
Alimentação saudável também influencia o aprendizado
Além dos benefícios para a saúde física, especialistas ressaltam que uma alimentação equilibrada favorece o desenvolvimento cognitivo, melhora a capacidade de concentração e pode refletir positivamente no desempenho escolar.
Segundo Andressa, crianças expostas regularmente a alimentos saudáveis tendem a ampliar sua aceitação por esses produtos e reproduzir esse comportamento também no ambiente familiar.
Desafio envolve custo, logística e conservação
Apesar dos benefícios, ampliar a oferta de alimentos naturais nas escolas ainda enfrenta desafios importantes. Entre eles estão os custos, a logística de distribuição, a conservação dos produtos, o armazenamento e a necessidade de manter um padrão de qualidade para grandes redes públicas e privadas.
Por isso, a nutricionista defende soluções que conciliem ingredientes naturais, facilidade de armazenamento e maior prazo de validade, sem comprometer a qualidade nutricional dos alimentos.
Segundo a Merendô, marca da Polpa Brasil citada durante o debate, seus produtos são elaborados com frutas minimamente processadas, adoçadas apenas pelos açúcares naturais da própria fruta, produzidos sem conservantes e seguindo as diretrizes do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
Debate continua em discussão no Congresso
Enquanto o Projeto de Lei segue em tramitação, especialistas defendem que a alimentação escolar seja tratada como uma política de promoção da saúde, considerando que os hábitos adquiridos durante a infância costumam acompanhar o indivíduo por toda a vida.
Para eles, reduzir a presença de alimentos ultraprocessados nas escolas representa uma oportunidade de incentivar escolhas mais saudáveis e contribuir para a prevenção de doenças desde os primeiros anos de vida.
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