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Economia • 07:30h • 27 de janeiro de 2026

Quanto custa a saúde mental de um colaborador para a empresa

Janeiro Branco reacende debate sobre adoecimento emocional, afastamentos e a urgência de estratégias preventivas no ambiente corporativo

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Lara Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1

Janeiro Branco expõe o preço da saúde mental ignorada pelas empresas
Janeiro Branco expõe o preço da saúde mental ignorada pelas empresas

A campanha Janeiro Branco chega a 2026 em um contexto de avanço dos transtornos emocionais e de recordes de afastamentos no trabalho, trazendo à tona um debate que ultrapassa o campo individual e passa a ocupar espaço central na gestão das empresas. Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que depressão e ansiedade geram perdas globais estimadas em US$ 1 trilhão por ano em produtividade, enquanto no Brasil os transtornos mentais já figuram entre as principais causas de licenças médicas prolongadas.

O cenário reforça a dimensão econômica do adoecimento emocional. Levantamentos do Ministério da Saúde mostram que os transtornos de ansiedade atingem cerca de 9,3% da população brasileira, índice superior à média global, com reflexos diretos na capacidade produtiva, no engajamento das equipes e na sustentabilidade dos negócios.

Para Rodrigo Araújo, CEO da Global Work, o tema deixou de ser periférico. Segundo ele, a saúde mental passou a impactar diretamente os resultados das organizações. “Quando a empresa olha para a saúde emocional apenas depois do afastamento, ela já está lidando com o prejuízo. A prevenção reduz custos invisíveis e protege o desempenho do negócio”, afirma.

O Janeiro Branco, tradicionalmente associado a reflexões pessoais no início do ano, ganha dimensão corporativa à medida que indicadores de absenteísmo, presenteísmo e rotatividade se intensificam. Estudos da Organização Internacional do Trabalho apontam que problemas de saúde mental estão entre os principais fatores ligados ao presenteísmo, situação em que o profissional continua trabalhando, mas com desempenho reduzido, o que eleva custos operacionais e compromete resultados de médio e longo prazo.

Nos últimos anos, empresas que negligenciaram o tema passaram a enfrentar aumento de afastamentos, crescimento das despesas assistenciais e maior dificuldade para reter talentos. Em contrapartida, organizações que adotaram programas preventivos estruturados registraram redução de licenças médicas e melhora nos indicadores de engajamento e produtividade.

Rodrigo Araújo avalia que o principal desafio está em ir além das ações pontuais. Para ele, o Janeiro Branco cumpre um papel importante de visibilidade, mas não pode se limitar a campanhas isoladas. “Saúde mental precisa estar no planejamento anual, com indicadores claros e acompanhamento contínuo. Não é uma ação de calendário, é uma estratégia de gestão”, afirma.

Entre as práticas que vêm ganhando espaço nas empresas estão o monitoramento sistemático do absenteísmo, o acesso estruturado a apoio psicológico, a capacitação de lideranças para identificar riscos psicossociais e a integração entre saúde física e emocional. Essas iniciativas ganharam ainda mais relevância após a atualização da Norma Regulamentadora nº 1, que passou a incluir oficialmente os riscos psicossociais nos programas de saúde e segurança do trabalho.

O desafio agora é transformar o alerta simbólico do Janeiro Branco em rotina corporativa. Estudos do Fórum Econômico Mundial indicam que cada dólar investido em programas de saúde mental pode gerar retorno médio de quatro dólares em produtividade e redução de afastamentos. Ainda assim, grande parte das empresas brasileiras segue atuando de forma reativa, sem métricas claras ou protocolos consolidados.

Ao incorporar dados econômicos, impactos operacionais e indicadores de desempenho, o debate sobre saúde mental deixa de ser apenas uma pauta de bem-estar e passa a integrar a agenda estratégica das organizações, como fator de competitividade, sustentabilidade e gestão de riscos.

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