Variedades • 15:18h • 29 de outubro de 2026
Publicidade no ChatGPT muda disputa entre empresas e coloca reputação digital em evidência
Pesquisa brasileira aponta que 57% das empresas analisadas não aparecem espontaneamente nas respostas de IAs, mesmo com a crescente importância dessas plataformas para decisões de consumo
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da WS Labs | Foto: Divulgação
A chegada de formatos publicitários ao ChatGPT abre novas oportunidades para empresas divulgarem produtos e serviços, mas também apresenta um desafio: pagar por um anúncio não significa que a marca será recomendada pela inteligência artificial. Segundo o professor da ESPM São Paulo e especialista em marketing digital Wilson Silva, a publicidade garante exposição comercial, enquanto a presença espontânea nas respostas depende de fatores como relevância, informações disponíveis e reputação digital.
A OpenAI anunciou testes de publicidade no ChatGPT, inicialmente nos Estados Unidos, com anúncios identificados e separados das respostas geradas pela plataforma. Entre os formatos apresentados estão conteúdos patrocinados relacionados ao contexto das interações dos usuários. A empresa afirma que a publicidade não interfere nas respostas produzidas pela inteligência artificial.
Para Wilson Silva, CEO da WS Labs, essa separação cria dois desafios para as marcas: conquistar visibilidade por meio de anúncios e construir autoridade para serem consideradas nas recomendações. Uma empresa pode aparecer como patrocinadora, mas não ser mencionada quando o consumidor pedir à IA uma comparação entre produtos, serviços ou estabelecimentos.
Pesquisa aponta baixa presença de marcas nas respostas de IA
Um estudo desenvolvido por Wilson Silva na ESPM São Paulo analisou 552 marcas de 22 setores econômicos, utilizando 6.611 consultas realizadas no ChatGPT, Gemini, Perplexity e Claude.
Os resultados apontaram que 57% das empresas avaliadas não foram mencionadas espontaneamente por nenhuma das quatro plataformas. Apenas 35 marcas, aproximadamente 6% da amostra, alcançaram a classificação máxima de autoridade estabelecida pela pesquisa.
O levantamento destaca a importância do GEO (Generative Engine Optimization), conjunto de estratégias voltadas à presença de empresas nas respostas produzidas por inteligências artificiais. Diferentemente do SEO, direcionado aos mecanismos tradicionais de busca, o GEO busca ampliar as condições para que marcas sejam encontradas, compreendidas e consideradas relevantes pelos sistemas generativos.
Segundo o especialista, investir em anúncios pode ampliar o alcance de uma empresa, mas manter informações atualizadas, conteúdo consistente e boa reputação digital continua sendo importante para conquistar a confiança dos consumidores.
A conclusão é que publicidade paga e presença orgânica nas inteligências artificiais são estratégias distintas. Uma empresa pode anunciar sem ser recomendada e também pode ser mencionada espontaneamente sem investir em publicidade.
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