Educação • 09:53h • 18 de setembro de 2026
Professores jovens somem das salas de aula e número de docentes com 60 anos ou mais dobra em dez anos
Pesquisa aponta queda de 31,1% entre profissionais de até 24 anos e projeta que, em 2040, haverá um jovem para cada seis docentes com 60 anos ou mais
Da Redação | Com informações da EBC | Foto: Divulgação
O Brasil perdeu espaço para professores mais jovens no ensino médio ao longo da última década. Entre 2015 e 2025, o número de docentes com até 24 anos caiu 31,1%, passando de 17,3 mil para 11,9 mil, enquanto o grupo com 60 anos ou mais cresceu 104,5%, de 18,2 mil para 37,3 mil. Os dados são da segunda edição da pesquisa Apagão dos Professores, o desafio da renovação dos professores no Brasil, do Instituto Semesp, divulgada na quarta-feira (16), durante o 28º Fórum Nacional do Ensino Superior Particular Brasileiro, em São Paulo.
A diferença entre as duas faixas etárias mostra uma mudança expressiva em apenas dez anos. Em 2015, havia praticamente um professor de até 24 anos para cada docente com 60 anos ou mais. Em 2025, essa relação passou para aproximadamente um jovem para cada três professores a partir dos 60 anos.
A projeção apresentada pelo Instituto Semesp indica que o distanciamento pode aumentar. Mantida a tendência observada, em 2040 o país poderá ter um professor de até 24 anos para cada seis docentes com 60 anos ou mais.
Temporários já representam mais de 43% do quadro público
O levantamento também identificou uma transformação na forma de contratação dos professores. O número de docentes temporários passou de aproximadamente 146 mil em 2015 para 205 mil em 2025, crescimento de 40,4%.
Com isso, profissionais com vínculos temporários, que representavam 32,2% do quadro público em 2015, passaram a responder por 43,4% em 2025.
No sentido contrário, diminuiu o contingente de professores concursados, efetivos ou estáveis. O número caiu de aproximadamente 305 mil para 255 mil no mesmo intervalo. A participação desses profissionais recuou de 67,2% para 54,1% do quadro.
Segundo o Instituto Semesp, o envelhecimento dos docentes, com maior proporção de profissionais próximos da aposentadoria, combinado ao avanço das contratações temporárias e terceirizadas, está entre os fatores que podem dificultar a renovação da rede pública.
Geografia e História estão entre as menores taxas de renovação
Para medir a capacidade de reposição dos profissionais diante das aposentadorias, o instituto desenvolveu a chamada Taxa de Renovação Docente. Quanto menor o indicador, maior é a dificuldade de renovação identificada pela pesquisa.
O índice geral caiu de 0,95 em 2015 para 0,32 em 2025, acompanhando o aumento da diferença entre professores mais jovens e aqueles com 60 anos ou mais.
Entre as áreas analisadas, Geografia apresentou a menor taxa de renovação, com 0,216, seguida por História, com 0,234, Língua Portuguesa, com 0,240, Sociologia, com 0,263, Filosofia, com 0,274, e Artes, com 0,278.
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