Responsabilidade Social • 17:10h • 02 de agosto de 2026
Professora cria "jacaré" que esconde a agulha e pode tornar a vacinação infantil menos assustadora
Tecnologia desenvolvida na Uniube já é usada em procedimentos odontológicos e agora avança para ajudar crianças durante campanhas de imunização
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Uniube | Foto: Divulgação
Tomar vacina costuma ser um dos momentos mais temidos pelas crianças. Pensando em tornar essa experiência mais tranquila e acolhedora, uma professora da Universidade de Uberaba (Uniube) desenvolveu um revestimento em formato de jacaré que envolve completamente a seringa, escondendo a agulha durante a aplicação.
A tecnologia foi criada pela professora do curso de Odontologia Maria Angélica Hueb de Menezes Oliveira, que também é fundadora da empresa INOPREV - Inovação e Tecnologia Ltda.. Inicialmente desenvolvida para procedimentos odontológicos, a solução agora está sendo adaptada para a vacinação infantil, especialmente após a substituição da vacina oral contra a poliomielite pela versão injetável.
A ideia nasceu para reduzir o medo das crianças
Segundo Maria Angélica, o projeto surgiu com o objetivo de diminuir a ansiedade provocada pela visão da agulha, um dos principais fatores que geram medo durante procedimentos médicos.
"Durante muitos anos, o grande símbolo da vacinação infantil foi o Zé Gotinha. Com a mudança da vacina contra a poliomielite para a aplicação injetável, percebemos a oportunidade de criar um projeto que ajudasse a incentivar a vacinação e, ao mesmo tempo, diminuísse o medo das crianças em relação às agulhas", explica a pesquisadora.

Foi dessa ideia que nasceu a Turma do Jacarezinho, iniciativa que utiliza personagens inspirados na fauna brasileira para tornar a imunização mais lúdica e incentivar a participação nas campanhas de vacinação.
Como funciona o dispositivo
O primeiro personagem desenvolvido é um jacaré produzido em biopolímero atóxico, retrátil e com aroma de tutti-frutti.
O revestimento cobre completamente a seringa e a agulha durante a aplicação, impedindo que a criança veja o equipamento e tornando o procedimento menos intimidador.
A proposta, porém, vai além do momento da vacina. Após a imunização, a criança leva o personagem para casa acompanhado de um jogo da memória e de QR Codes que dão acesso a histórias, animações e jogos em realidade tridimensional com conteúdos sobre vacinação e preservação da fauna brasileira.
Projeto prevê novos personagens
Depois do sucesso da versão odontológica, que já é comercializada no Brasil e no exterior, a equipe trabalha na etapa final da adaptação para vacinação.
Segundo Maria Angélica, o projeto prevê o lançamento de 11 personagens inspirados em animais brasileiros, cada um relacionado a diferentes campanhas de imunização.
"A nossa ideia é humanizar a vacinação infantil, pois tornar esse momento mais acolhedor também contribui para uma importante estratégia de saúde pública", afirma.
Reconhecimento da pesquisa
A inovação conquistou recentemente o segundo lugar no Demoday Centelha, iniciativa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), voltada ao incentivo de empresas inovadoras e de base tecnológica.
Para a pesquisadora, o reconhecimento reforça o papel da universidade no desenvolvimento de soluções capazes de melhorar a vida das pessoas.
"A pesquisa só faz sentido quando consegue melhorar a vida das pessoas. Nosso propósito é desenvolver tecnologias que tornem os procedimentos de saúde mais humanizados, aproximando a ciência das necessidades da sociedade. Ver uma ideia que nasceu dentro da universidade chegar ao mercado e beneficiar tantas famílias mostra como a pesquisa tem potencial para transformar realidades", conclui.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Educação
Quem são os alunos de Assis, Cândido Mota e Florínea que conquistaram intercâmbio internacional: veja a lista
Jovens de oito municípios estudarão no Canadá, na Irlanda e na Nova Zelândia pelo Prontos pro Mundo e devem entregar documentos até 21 de setembro