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Saúde • 07:56h • 02 de julho de 2025

Por que parece que todo mundo está gripado?

Em entrevista ao podcast Repórter SUS, Tatiana Portella, pesquisadora do Programa de Computação Científica e do Infogripe explica quais os principais responsáveis pelo cenário atual

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Gov | Foto: Arquivo Âncora1

Não há uma explicação definitiva sobre essa alta de pessoas internadas, o mais provável para a ciência é que ela esteja relacionada a múltiplos fatores. Além do clima mais propício, a circulação simultânea de vários patógenos e os índices de vacinação influenciam o cenário.
Não há uma explicação definitiva sobre essa alta de pessoas internadas, o mais provável para a ciência é que ela esteja relacionada a múltiplos fatores. Além do clima mais propício, a circulação simultânea de vários patógenos e os índices de vacinação influenciam o cenário.

Os números das últimas semanas do boletim Infogripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostram que o Brasil registrou aumento drástico de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) entre maio e junho. Antes mesmo do inverno, o país já contabilizava o dobro de registros em comparação com o mesmo período do ano passado, totalizando mais de 103 mil notificações em 2025.

Vale ressaltar que o resultado diz respeito apenas às infecções graves e que precisam de hospitalização, já que todas as unidades de saúde públicas e privadas são obrigadas a informar esses dados.

Tatiana Portella, pesquisadora do Programa de Computação Científica e do Infogripe em entrevista ao podcast Repórter SUS explica que os principais responsáveis pelo cenário atual são o vírus da influenza, que afeta mais adultos e idosos, e o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), mais comum em crianças pequenas. É normal que a incidência deles aumente nos meses mais frios e secos do ano, mas a alta de hospitalizações tem chamado a atenção, segundo a especialista.

Não há uma explicação definitiva sobre essa alta de pessoas internadas, o mais provável para a ciência é que ela esteja relacionada a múltiplos fatores. Além do clima mais propício, a circulação simultânea de vários patógenos e os índices de vacinação influenciam o cenário. Diante dessa realidade, Tatiana Portella destaca a importância da vigilância e do levantamento de dados e informações.

“Monitoramos principalmente os casos graves dessas doenças respiratórias porque é muito importante detectar de forma antecipada um aumento muito expressivo e emitir alertas para o governo poder se planejar na questão de alocação desses recursos hospitalares. Esse é um papel fundamental da vigilância, é o primeiro passo. A vigilância epidemiológica não é muito notícia, mas é a principal etapa para esse processo de prevenção de uma eventual superlotação dos hospitais.”

No Brasil, o número de óbitos por SRAG ultrapassa 5,6 mil este ano, majoritariamente causados pela influenza e pela Covid-19. Apesar de o coronavírus representar menos de 2% dos casos, ele foi responsável por 30% das mortes desde janeiro, ou seja, ainda é uma ameaça significativa. A vacinação é um dos principais recursos para evitar casos graves. Tatiana Portella ressalta ainda que, para quem já está doente, medidas velhas conhecidas são muito importantes.

“A orientação para crianças e adultos é de que, em caso de aparecimento de sintomas de gripe ou resfriado, fiquem em isolamento, assim como recomendávamos na época da pandemia. Esses vírus são de transmissão respiratória. Então, o ideal é ficar em casa se recuperando da infecção e evitando transmitir para outras pessoas. Até porque, a criança pode infectar outras crianças na escola e, em casa, também pode infectar um avô, uma avó ou uma pessoa que tenha um problema de saúde e que pode desenvolver aí a forma mais grave da doença.”

Outra lembrança dos tempos de pandemia é a necessidade do uso de máscara. “É fundamental, ainda mais nessa época de alta circulação desses vírus respiratórios e com tantos casos graves. É muito importante que as pessoas usem máscaras em locais de maior aglomeração de pessoas e ambientes fechados e dentro dos postos de saúde, que é onde as pessoas que estão infectadas vão procurar atendimento médico.”

Cenário global

A maior circulação de vírus respiratórios sazonais não vem sendo observada apenas no Brasil. Desde o início deste ano a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulga alertas epidemiológicos sobre o tema, tanto no Hemisfério Sul quanto no Hemisfério Norte. Em janeiro, a entidade apontou alta de casos de síndromes gripais e SRAG em vários países como Itália, Suíça, França, Inglaterra, Canadá México, Estados Unidos e Jamaica

No Hemisfério Sul, a OMS já alertava para aumento de infecções respiratórias agudas graves desde abril em países como Chile e Paraguai, e em algumas regiões da Colômbia e do Equador. Para enfrentar o cenário, a autoridade internacional recomendava que os governos tivessem planos de preparação, com fortalecimento da vigilância epidemiológica, testes laboratoriais para casos mais graves, e medidas de prevenção e controle.

Entre as ações está também a garantia de vacinação para influenza, COVID-19 e VSR, especialmente em grupos de alto risco, como idosos, pessoas com comorbidades, crianças pequenas, gestantes e profissionais de saúde. No Brasil, o Ministério da Saúde anunciou um investimento adicional de 50 milhões de reais para o custeio de internações, somando-se aos 100 milhões já destinados.

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