Variedades • 19:29h • 25 de janeiro de 2026
Por que a solidão cresce mesmo em ambientes cheios
Estudos indicam que ausência de vínculo emocional aumenta riscos de ansiedade, depressão e queda de desempenho no trabalho
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Lara Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
A solidão deixou de ser associada apenas ao isolamento físico e passou a atingir também pessoas socialmente ativas. Dados da Organização Mundial da Saúde apontam que cerca de um em cada quatro adultos no mundo relata sentir solidão frequente, mesmo mantendo convivência familiar, profissional ou social regular. O fenômeno tem impacto direto sobre a saúde mental e começa a ganhar atenção no ambiente corporativo.
Segundo Jair Soares dos Santos, psicólogo e pesquisador em saúde mental, a presença constante de pessoas não garante proteção emocional. “Muitas pessoas estão acompanhadas no trabalho, na família ou em grupos sociais, mas não se sentem compreendidas ou seguras para expressar vulnerabilidades. Essa desconexão prolongada pode gerar sofrimento psíquico importante”, afirma.
Conhecida na literatura científica como solidão subjetiva, a condição ocorre quando há interação social, mas falta conexão emocional, escuta e sensação de pertencimento. Levantamentos do Gallup World Poll mostram que indivíduos que se sentem solitários apresentam níveis mais elevados de sofrimento emocional, independentemente do número de contatos sociais ou do estado civil.
Pesquisas publicadas pela The Lancet Psychiatry associam a solidão persistente ao aumento do risco de ansiedade, depressão e agravamento de transtornos mentais já existentes. Os estudos destacam que a qualidade dos vínculos tem peso maior do que a quantidade de relações mantidas ao longo do dia.
No ambiente de trabalho, os efeitos também são mensuráveis. Um estudo divulgado pela Harvard Business Review indica que profissionais que relatam solidão apresentam maior esgotamento emocional, menor engajamento e maior risco de afastamentos por questões de saúde mental. A sensação de desconexão aparece associada à queda de produtividade e ao aumento de sintomas relacionados ao burnout.
Apesar da alta incidência, a solidão acompanhada ainda é pouco reconhecida. Por não envolver isolamento visível, tende a ser minimizada ou interpretada como fragilidade individual. “Existe uma cobrança implícita para que a pessoa esteja bem por estar rodeada de gente, o que leva muitos profissionais a silenciarem o próprio sofrimento”, observa Santos.
Especialistas recomendam atenção a sinais persistentes como sensação de vazio, dificuldade de compartilhar emoções, irritabilidade constante, fadiga emocional e percepção de não pertencimento, mesmo em ambientes coletivos. A orientação é buscar apoio profissional e fortalecer vínculos baseados em confiança, escuta e segurança psicológica.
No cenário pós-pandemia, o tema ganhou relevância adicional. Embora as interações presenciais tenham sido retomadas, estudos internacionais indicam que o mal-estar emocional associado à solidão não diminuiu na mesma proporção. Para a Organização Mundial da Saúde, reconhecer a solidão como fator de risco em saúde pública é essencial para orientar políticas de prevenção, práticas corporativas mais saudáveis e estratégias contínuas de cuidado emocional.
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