Saúde • 09:41h • 11 de setembro de 2026
Planos de saúde terão que cobrir mamografia digital em qualquer idade a partir de outubro
ANS acaba com faixa etária que hoje limita a cobertura obrigatória a mulheres de 40 a 69 anos; novo direito valerá sempre que houver indicação médica
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da EBC | Foto: Divulgação
Uma mudança importante no acesso ao diagnóstico do câncer de mama começa a valer em 1º de outubro. A partir dessa data, os planos de saúde serão obrigados a cobrir a mamografia digital para pessoas de qualquer idade, desde que exista indicação médica. A decisão da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) elimina a atual restrição que estabelece cobertura obrigatória do exame para mulheres entre 40 e 69 anos.
A alteração foi aprovada pela ANS no último dia 3 e anunciada na quinta-feira (10). Com a nova regra, a idade deixa de ser uma barreira para a cobertura obrigatória da mamografia digital quando o médico considerar o exame necessário.
A ampliação também não fica restrita às mulheres. Ao estabelecer cobertura para “todas as pessoas”, a decisão abrange qualquer gênero, incluindo pessoas não binárias, sempre condicionada à indicação médica.
O que muda a partir de 1º de outubro
Atualmente, a obrigatoriedade de cobertura da mamografia digital pelos planos está vinculada à faixa dos 40 aos 69 anos. Com a alteração, essa limitação desaparece.
Isso significa que uma pessoa com menos de 40 anos ou com mais de 69 anos que receba indicação médica para realizar uma mamografia digital passará a ter o procedimento contemplado pela cobertura obrigatória.
A mudança não significa, porém, que todas as pessoas precisarão fazer mamografia independentemente da idade. A nova regra trata da cobertura pelos planos de saúde quando houver indicação médica, e não da criação de uma recomendação universal para realização do exame em qualquer faixa etária.
Mamografia digital ajuda na detecção precoce
A mamografia digital é uma versão mais avançada da mamografia convencional e está entre os principais exames utilizados para detectar precocemente o câncer de mama. Ela permite identificar alterações que ainda podem não ser percebidas pelo toque.
Entre as características destacadas pela ANS estão menor exposição à radiação e menor tempo de compressão da mama durante o procedimento. Como as imagens ficam armazenadas digitalmente, também podem ser utilizadas no acompanhamento da evolução clínica e avaliadas por diferentes especialistas.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil tem estimativa de aproximadamente 73.610 novos casos de câncer de mama por ano. A identificação precoce pode aumentar as possibilidades de tratamento e reduzir a necessidade de procedimentos mais invasivos.
Restrição poderia atrasar acesso ao diagnóstico
A iniciativa de ampliar a cobertura partiu da própria ANS e passou por discussões na Comissão de Atualização do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde Suplementar (Cosaúde).
Durante as discussões, a maioria da comissão considerou que a mamografia digital já está consolidada como padrão de cuidado oncológico e avaliou que manter a cobertura obrigatória limitada às mulheres de 40 a 69 anos poderia prejudicar ou atrasar o acesso ao diagnóstico em situações nas quais o exame fosse clinicamente necessário fora dessa faixa.
A entrada em vigor em outubro coincide com o Outubro Rosa, período dedicado à conscientização sobre prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama.
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