Economia • 08:48h • 13 de agosto de 2026
Pix pode ganhar pagamentos internacionais, funcionar sem internet e ajudar no acesso a crédito
Banco Central estuda conectar sistema brasileiro a plataformas de outros países e prepara novas funcionalidades, além de medidas para reforçar a prevenção a fraudes
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da EBC | Foto: Arquivo/Âncora1
O Pix poderá atravessar oficialmente as fronteiras brasileiras e se conectar a sistemas de pagamentos instantâneos de outros países. A possibilidade faz parte da agenda de novos produtos e funcionalidades estudada pelo Banco Central (BC), que também inclui transações por aproximação sem internet, integração ao mercado de crédito e novas ferramentas de segurança.
Os projetos foram apresentados no Relatório de Gestão do Pix 2023-2025, divulgado nesta segunda-feira (10). Segundo o BC, estão em discussão tanto conexões diretas entre dois países quanto a participação brasileira em estruturas multilaterais capazes de integrar diferentes sistemas de pagamentos.
A proposta permitiria, por exemplo, realizar remessas internacionais e pagamentos de compras com os recursos disponibilizados na moeda local em poucos segundos. O Banco Central avalia que a integração tem potencial para ampliar o acesso às transações internacionais e reduzir os custos cobrados nessas operações.
Apesar da perspectiva, ainda se trata de uma agenda em estudo. O relatório não estabelece uma data para que a integração internacional do Pix esteja disponível aos usuários.
Pix internacional não é a única novidade estudada
O Banco Central também acompanha modelos de pagamentos internacionais utilizando o Pix que já vêm sendo desenvolvidos por empresas brasileiras e estrangeiras. Paralelamente, trabalha em possibilidades que podem alterar a maneira como o sistema é utilizado dentro do país.
Uma delas é o Pix por aproximação offline, pensado para permitir determinadas transações mesmo quando não houver conexão com a internet. Outra possibilidade é ampliar o uso do Pix Automático como alternativa ao tradicional débito em conta.
A agenda também chega ao mercado de crédito. O BC estuda permitir que fluxos futuros de recebimentos via Pix sejam utilizados como garantia para financiamentos, especialmente por empresas que movimentam grande parte de suas receitas pelo sistema.
Segundo o relatório, a medida pode melhorar a qualidade das garantias apresentadas às instituições financeiras e contribuir para reduzir o custo do crédito.
Mensagens do Pix entraram no radar do Banco Central
Um recurso aparentemente simples também está sendo revisto. O campo destinado a mensagens nas transferências passou a ser utilizado, em alguns casos, para ofensas, ameaças e intimidações, frequentemente acompanhadas de transferências de valores muito baixos.
O espaço foi criado originalmente para permitir a inclusão de informações relacionadas à própria transação. Diante do uso inadequado, o Banco Central instituiu um grupo de trabalho para estudar alternativas.
Com base nas conclusões, a autoridade monetária poderá adotar mudanças regulatórias para restringir ou combater esse tipo de utilização.
Inteligência artificial deverá ajudar a identificar golpes
A segurança ocupa outra frente importante da próxima etapa do Pix. O Banco Central prevê oito medidas para aprimorar a prevenção e a identificação de fraudes, incluindo critérios mínimos para classificar operações como suspeitas.
Atualmente, cada instituição financeira estabelece seus próprios parâmetros. Na avaliação do BC, essa diferença pode fazer com que operações que deveriam receber atenção especial, como transferências de valores elevados em horários incomuns, sejam autorizadas sem uma análise mais cuidadosa.
Entre as novidades está o desenvolvimento de um indicador de probabilidade de fraude, calculado pelo Banco Central em tempo real para as transações. A ferramenta deverá utilizar um modelo de machine learning e disponibilizar as informações às instituições participantes para reforçar seus sistemas antifraude.
Alertas e bloqueios também devem mudar
O planejamento inclui ainda a padronização obrigatória dos alertas de fraude utilizados pelas instituições financeiras e melhorias na comunicação entre bancos e demais participantes quando houver necessidade de bloqueio cautelar de uma transação suspeita.
A intenção é permitir uma troca de informações mais rápida e automatizada, facilitando a avaliação das operações e aumentando a capacidade de identificar possíveis golpes.
Também está prevista a ampliação das medidas cautelares aplicáveis às instituições que representem risco ao funcionamento do sistema, incluindo restrições ao cadastro de novas chaves Pix.
Pix também entrou em disputa entre Brasil e Estados Unidos
A expansão do sistema ocorre enquanto o Pix também aparece no debate comercial entre Brasil e Estados Unidos. Segundo o conteúdo divulgado, o governo norte-americano incluiu o mecanismo entre as justificativas relacionadas ao recente tarifaço de 25% aplicado a parte dos produtos brasileiros, classificando-o como uma suposta prática desleal no mercado financeiro. O governo brasileiro contesta essa interpretação.
Especialistas ouvidos pela Agência Brasil avaliam que a discussão também envolve a crescente autonomia da infraestrutura brasileira de pagamentos eletrônicos em relação a sistemas internacionais.
Enquanto essa disputa ocorre no campo político e comercial, a agenda técnica do Banco Central aponta justamente para uma nova fase de expansão. Caso os projetos avancem, o Pix poderá deixar de ser apenas uma ferramenta doméstica de pagamentos instantâneos para ganhar maior integração internacional, novos usos no crédito e mecanismos adicionais de segurança.
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