Economia • 08:04h • 16 de agosto de 2026
Pix engole espaço do dinheiro e já representa 1 em cada 5 vendas em bares e restaurantes
Pagamento instantâneo já representa 20,5% das vendas presenciais do setor e chega a 30,4% nos pequenos negócios; dinheiro em espécie responde por apenas 8,3%
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Abrasel | Foto: Âncora1
Na hora de pagar a conta no bar ou restaurante, apontar a câmera do celular para um QR Code ou pedir a chave Pix já faz parte da rotina dos brasileiros. O pagamento instantâneo continua ganhando espaço e agora representa, em média, 20,5% das vendas realizadas em salão e balcão no setor de alimentação fora do lar.
O percentual mostra um avanço importante em relação ao levantamento anterior da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), realizado em 2024, quando o Pix respondia por 16,5% dessas operações.
Enquanto o pagamento instantâneo cresce, o dinheiro físico segue o caminho contrário. Atualmente, as notas e moedas representam somente 8,3% das vendas presenciais dos estabelecimentos pesquisados.
Cartão ainda lidera, mas Pix ganha terreno
Apesar do crescimento, o Pix ainda não superou os cartões quando considerada a média nacional. O cartão de crédito permanece na liderança, com 41,5% das vendas, seguido pelo débito, com 25,1%.
O cenário geral das vendas presenciais ficou assim:
- Cartão de crédito: 41,5%
- Cartão de débito: 25,1%
- Pix: 20,5%
- Dinheiro: 8,3%
Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional de Conjuntura Econômica da Abrasel, realizada em junho de 2026 com mais de 1,6 mil empresários do setor nas cinco regiões brasileiras.
Nos pequenos negócios, Pix chega a 30,4%
O peso do Pix muda consideravelmente quando o tamanho das empresas entra na análise.
Entre os estabelecimentos com faturamento anual de até R$ 130 mil, 30,4% das vendas presenciais já são pagas por Pix.
Nos negócios que faturam entre R$ 130 mil e R$ 360 mil, são 22,6%. Na faixa entre R$ 360 mil e R$ 1 milhão, o índice chega a 24%.
Nas empresas maiores, a participação permanece relevante, mas oscila entre 14,9% e 17,5%.
Para o presidente da Abrasel, Paulo Solmucci, a combinação entre facilidade para o consumidor e vantagens operacionais para os estabelecimentos ajuda a explicar a expansão.
“O cliente quer rapidez, praticidade e segurança no momento do pagamento. Ao mesmo tempo, o empresário busca soluções que reduzam custos e tragam mais previsibilidade ao fluxo de caixa”, afirma.
Do lanche rápido à casa noturna
O tipo de estabelecimento também influencia a maneira como o consumidor paga.
Na alimentação rápida, o Pix representa 24,6% das vendas, maior percentual entre os segmentos apresentados pelo levantamento.
Nos restaurantes especializados, chega a 21%. Bares e casas noturnas registram 19,9%, enquanto nos restaurantes de almoço, como os estabelecimentos por quilo, a participação é de 17%.
Os números mostram que a modalidade já deixou de ser apenas uma alternativa para situações específicas e passou a ocupar uma parcela relevante do faturamento cotidiano dos estabelecimentos.
Norte se aproxima de 30% das vendas por Pix
Regionalmente, a diferença é ainda mais expressiva.
O Norte lidera o país, com 29,8% das vendas de bares e restaurantes realizadas por Pix. No levantamento anterior da Abrasel, eram 25,5%. O Nordeste aparece na sequência, com 24,2%, também acima da média brasileira.
Nas demais regiões, os percentuais são menores: Sudeste registra 18,1%, Centro-Oeste 17,9% e Sul 16,5%. Um comportamento, entretanto, aparece em todas elas: o dinheiro físico já representa menos de 11% das vendas.
Dinheiro perde espaço na carteira do brasileiro
A transformação observada nos bares e restaurantes acompanha uma mudança mais ampla nos hábitos de pagamento.
Pesquisa do Google citada pelo levantamento aponta que o Pix já alcança 93% da população e respondeu por 47% das transações realizadas no país em 2024. No mesmo período, o uso de dinheiro em espécie teria caído de 43% para 6% dos consumidores.
Para os estabelecimentos, a expansão também pode ir além do simples pagamento da conta. Segundo Solmucci, o sistema permite integração com pedidos digitais, programas de fidelidade e outras ferramentas de relacionamento com os clientes.
Cinco anos depois de entrar no cotidiano dos brasileiros, o Pix já ocupa mais de um quinto das vendas presenciais de bares e restaurantes e, entre os menores estabelecimentos, aproxima-se de um terço. Enquanto isso, o dinheiro físico, durante décadas indispensável para pagar aquela conta no balcão, representa hoje menos de uma em cada dez vendas do setor.
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