Saúde • 07:36h • 10 de junho de 2026
Picada de escorpião: Butantan divulga locais com maior risco de acidente; veja cuidados
Pesquisa analisou dados dos 5.570 municípios brasileiros entre 2012 e 2024; fatores sociodemográficos, ambientais e climáticos estão associados às áreas de alto risco
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1
As regiões sul da Bahia, norte de Minas Gerais e noroeste do estado de São Paulo concentram atualmente algumas das áreas com maior risco de acidentes por picadas de escorpião no país. O alerta é resultado de um estudo que analisou dados de todos os municípios brasileiros entre 2012 e 2024 e identificou um crescimento expressivo dos casos de escorpionismo.
Ao longo do período, foram registrados mais de 1,7 milhão de acidentes e 1.230 mortes. A taxa nacional de incidência saltou de 31 para 142 casos por 100 mil habitantes, representando um aumento de 349%.
Pesquisadores apontam que a expansão dos acidentes está relacionada à combinação de fatores climáticos, ambientais, urbanos e sociais que favorecem a adaptação e a proliferação dos escorpiões nos centros urbanos.
Sudeste e Nordeste concentram maioria dos casos
As regiões Sudeste e Nordeste respondem por cerca de 87% dos acidentes registrados no Brasil. Os principais focos de risco estão localizados em municípios de São Paulo, Minas Gerais e Bahia, estados que vêm apresentando crescimento acelerado das ocorrências nos últimos anos.
No estado de São Paulo, o noroeste paulista é considerado a área mais crítica. O clima quente e o intenso processo de urbanização criam condições favoráveis para a reprodução do escorpião-amarelo, principal responsável pelos acidentes no país.
Minas Gerais também chama atenção pelo elevado número de casos graves e mortes, especialmente na região norte do estado. Crianças de até 9 anos são as principais vítimas fatais dos acidentes.
Na Bahia, o risco é elevado tanto no sul quanto no norte do estado. Especialistas apontam que as altas temperaturas e os períodos de baixa pluviosidade favorecem o desenvolvimento das populações de escorpiões.
Outros estados nordestinos, como Pernambuco, Alagoas e Rio Grande do Norte, também registram aumento significativo dos casos, principalmente em áreas urbanizadas.
Ambiente urbano favorece proliferação
As regiões classificadas como de maior risco apresentam características semelhantes, como temperaturas elevadas, menor volume de chuvas, baixa cobertura vegetal e indicadores sociais menos favoráveis.
Por outro lado, municípios com maior presença de vegetação tendem a registrar menos acidentes. Os pesquisadores destacam que ambientes urbanos quentes e secos oferecem condições ideais para a sobrevivência dos escorpiões.
Outro fator que preocupa é a elevada capacidade de adaptação de algumas espécies. O escorpião-amarelo e o escorpião-do-nordeste, por exemplo, conseguem se reproduzir sem a necessidade de acasalamento. Dessa forma, uma única fêmea pode originar rapidamente uma grande população em determinado local.
O estudo também identificou um padrão sazonal. O período entre setembro e dezembro, especialmente durante a primavera, concentra o maior número de acidentes em diversas regiões do país.
Região Norte pode ter subnotificação
Embora apresente índices menores de registros, a Região Norte pode enfrentar uma realidade diferente da observada nas estatísticas oficiais. Os pesquisadores alertam para a possibilidade de subnotificação e para as dificuldades de acesso aos serviços de saúde em áreas remotas.
Em comunidades ribeirinhas, por exemplo, o deslocamento até uma unidade de atendimento pode levar dias, aumentando os riscos em casos graves, principalmente entre crianças.
Além disso, espécies encontradas na Amazônia podem provocar manifestações clínicas diferentes das observadas em outras regiões do Brasil, exigindo atenção especial dos profissionais de saúde.
Como prevenir acidentes
Os escorpiões adaptam-se facilmente aos ambientes urbanos e costumam ocupar galerias subterrâneas, redes de esgoto, terrenos com entulho e locais com grande presença de insetos, especialmente baratas, que servem de alimento para esses animais.
Para reduzir os riscos, recomenda-se evitar o acúmulo de lixo, folhas secas, entulho e materiais de construção. Também é importante manter quintais limpos e evitar deixar roupas, calçados ou objetos espalhados pelo chão, já que podem servir de abrigo para os escorpiões.
O que fazer em caso de picada
A picada de escorpião geralmente provoca dor intensa e imediata. Em caso de acidente, a orientação é lavar o local com água e sabão, aplicar compressas mornas e procurar atendimento médico o mais rápido possível.
A rapidez é ainda mais importante quando a vítima é uma criança, já que a evolução para quadros graves pode ocorrer em poucas horas.
A maioria dos casos é considerada leve e pode ser tratada com medicamentos para controle da dor. Já os envenenamentos mais graves exigem a aplicação de soro específico, disponível em unidades de saúde habilitadas para esse tipo de atendimento.
Especialistas reforçam que o acesso rápido ao atendimento médico é o principal fator para reduzir complicações e evitar mortes causadas pelo envenenamento por escorpiões.
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