Responsabilidade Social • 15:13h • 04 de setembro de 2026
Pets ganham espaço nas famílias, mas custo ainda dificulta acesso a cuidados veterinários
Vacinação, controle de parasitas, alimentação adequada e exames preventivos estão entre os cuidados importantes; custos veterinários ainda dificultam o acompanhamento para parte das famílias
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Textual Comunicação | Foto: Divulgação
Cães e gatos ocupam cada vez mais espaço na rotina e nos vínculos familiares, mas manter os cuidados veterinários ao longo de toda a vida do animal ainda pode esbarrar no orçamento. Estudos apontam uma relação entre condição socioeconômica e acesso a acompanhamento veterinário, vacinação, castração e tratamentos preventivos, justamente em um cenário no qual os pets são vistos cada vez mais como integrantes da família.
Um estudo realizado em Santa Maria (RS), com 414 domicílios atendidos pela Estratégia de Saúde da Família, identificou animais de estimação em 88,5% das residências. Apesar da presença elevada de cães e gatos, apenas 18,4% dos animais haviam sido castrados. A pesquisa também encontrou maior frequência de acompanhamento veterinário, vacinação, esterilização e tratamentos antiparasitários entre famílias de renda mais elevada.
O acesso aos cuidados ganha importância porque parte da prevenção começa antes do aparecimento de sintomas. Vacinas, controle de pulgas e carrapatos, alimentação nutricionalmente adequada e acompanhamento por exames podem reduzir riscos ou permitir que alterações sejam identificadas precocemente.
Vacinação e controle de parasitas fazem parte da prevenção
A vacinação de cães e gatos é considerada segura, e eventos adversos graves são raros. Em gatos, estudos investigam uma associação rara entre injeções, incluindo vacinas, e sarcomas no local da aplicação. Uma meta-análise que reuniu oito estudos, mais de 14 mil vacinações e 411 casos estimou uma ocorrência combinada de 8,8 casos a cada 100 mil vacinações, embora os próprios pesquisadores tenham classificado a certeza da evidência como muito baixa. A recomendação é que o protocolo seja definido com acompanhamento veterinário.
Outro ponto é a proteção contra ectoparasitas. Pulgas, carrapatos e outros artrópodes podem provocar lesões e dermatites e também transmitir agentes infecciosos. Pesquisas citadas no material apontam que o uso preventivo de ectoparasiticidas pode reduzir significativamente a transmissão de doenças por vetores.
A alimentação também exige atenção. Um estudo de 2025 publicado no American Journal of Veterinary Research avaliou 1.726 dietas caseiras e concluiu que apenas 6% tinham potencial para ser nutricionalmente completas. A variedade de ingredientes, portanto, não garante por si só que cães e gatos estejam recebendo todos os nutrientes nas quantidades necessárias.
Exames podem revelar alterações antes dos sintomas
Alguns problemas de saúde podem evoluir inicialmente sem sinais perceptíveis. Exames laboratoriais ajudam a acompanhar essas alterações, especialmente em animais adultos e idosos. O hemograma pode fornecer informações sobre anemia, processos inflamatórios e células de defesa, enquanto exames bioquímicos auxiliam na avaliação de órgãos como rins e fígado. A urinálise pode complementar a investigação.
A ampliação do acesso a esse acompanhamento também está entre as propostas de centros veterinários ligados a universidades. A Universidade São Judas inaugura na próxima terça-feira, 8 de setembro, no campus Santana, um novo Centro de Medicina Veterinária, com atendimento de cães e gatos a preços acessíveis para consultas, vacinas e cirurgias.
A unidade funcionará de segunda a sexta-feira, das 17h às 21h. Estudantes do último semestre da graduação acompanharão os procedimentos sob supervisão da médica veterinária Fernanda Mantovani, responsável pelo centro e especialista em oftalmologia. Em procedimentos cirúrgicos, os alunos também poderão acompanhar o atendimento em tempo real por meio de câmera instalada para fins de aprendizagem.
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